REVISTA CARAS EM 2011

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

aridan





Aridan, àrìdan ou aridam é o nome de uma arvore de origem africana, cultivada no Brasil que produz frutos com o mesmo nome, seu nome científico é tetrepleura ou tetraptera
.
Fava de aridan como é chamado pelo povo de santo é um fruto sagrado "ewe orixa" que entra na maioria dos rituais do candomblé, principalmente nos ritos de odu ejé, sasanha, abô e assentamento de orixá como exu, ogum, obaluaye, oxum, xango e outros a depender do oro axé.

No sentido de proteger o terreiros e os filhos de santo contra as mazelas e feitiços, são colocadas favas de aridan em quase todos os ibas orixás e na preparação de pós, chamados de pó de pemba, efun ou atin e soprado pela iyamorô ou iyalorixa em todo compartimento do ile axé.

Segundo verger este mesmo vegetal tem o mesmo nome na África e um vasto uso nos rituais, principalmente em trabalhos benéficos para combates de bruxarias praticadas pelas feiticeiras africanas (Ìyàmi), principalmente para livrar pessoas que estão sobre efeito malévolo dessas entidades "trabalho para enlouquecer alguém", ou mesmo na iniciação para tornar-se Ìyàmi.

A fava de àrìdan ( Aridan, Alidan, Kiaka, Angulu, Munyegenye e etc...). Há de fato uma infinidade de nomes usados para esta fava.

A Fava consiste em um envólucro que protege as sementes e em algumas espécies são usadas ainda verdes como leguminosas em outros espera-se que amadureçam e sequem para serem trituradas ou delas serem retiradas suas sementes.

Esta fava é muito conhecida no Candomblé Brasil pois faz parte indispensável do Ritual iniciático de qualquer neófito.

Seu uso é exatamente no sentido da proteção que vai efetuar ao inicado quando misturada claro a outras no preparo do pó sagrado que também irá receber em cada vertente seu nome específico como (atín).

Estes pós vistos como sagrados dentro da cultura religiosa servem para criar um fechamento do corpo mediúnico colocando o então iniciado em estado de alteração necessária para seu estado de transe mediúnico com seu Òrìsà.

A fava de àrìdan termo (Yorùbá) no sudoeste da Nigéria também conhecida no Congo como, kiaka. Na África Central, provem de uma árvore robusta e perene de cerca de 30metros de altura, tem na cor um cinza / marrom, liso / casca áspera, A flor é amarela / rosa e branco, a fruta tem cor castanho escura, quatro frutos alados e é geralmente encontrada na floresta de várzea da África tropical.

O fruto é constituído por uma polpa carnosa, com pequenas sementes marrom/escuro. A fruta possui uma fragrância, caracteristicamente picante e odor aromático, o que é atribuído à sua propriedade repelente de insetos. É usado como especiarias e aroma (exóticos aromas tropicais). Também é útil no tratamento de convulsões, hanseníase, inflamação e dores reumatoide.

Nas atividades farmacológicas são encontrados no tratamento de várias doenças cardiovascular, neuromuscular, hipotensor, anticonvulsivantes, controle de esquistossomose, anti-ulcerosa, anti-inflamatório, hipoglicemiante, antimicrobiana.

Esta planta tem sido explorada na formulação dos frutos secos em pó da planta. Assim, as ervas secas em pó foram formuladas em bases de sabão utilizando óleo de dendê, manteiga de karité e misturas das duas bases.

Os sabonetes formulados foram avaliados para propriedades organolépticas e capacidade de formação de espuma. Sabonetes com a mistura das duas bases eram de melhor qualidade do que aqueles com a base individual. Incorporação de materiais vegetais em pó influenciou tanto a propriedade de formação de espuma e a dureza dos sabões.

A qualidade nutricional dos frutos secos do àrìdan usado como tempero, foi avaliada. A casca do fruto, polpa e sementes continha quantidades variadas de nutrientes, como proteínas, lipídios e minerais, que são comparáveis e alguns foram até mesmo superiores especiarias populares, tais como pimentão, cebola, curry e gengibre. Na parte oriental da Nigéria, as frutas são usadas para preparar sopas para as mães a partir do primeiro dia da entrega para evitar a contração pós-parto. Ele é usado na preparação da sopa de pimenta em partes do sul da Nigéria. As frutas também contêm ácidos caféico e carboidratos.

A fava de àrìdan combinado com outras plantas psicoativas, como a noz-moscada, dandá, orogbo, obi, reduzidas a pó é usado para afastar maus fluidos, atrair forças benfazejas e em rituais de cura, no fechamento de corpo e na feitura de santo, por meio de cortes no peito, braço, costas, pés, testa e língua, onde é colocado o pó. Seria o atín agindo como cicatrizante.


Nos rituais de Orixá, nada se faz sem o uso dessa poderosa fava, que é utilizada desde os tempos mais remotos, por sacerdotes das diversas regiões da África.

A Aridan é muito conhecido do povo de Candomblé por ser talvez a mais sagrada de todas as favas de utilidade religiosa, mesmo Exú leva essa fava em seu assentamento, e jamais se faz matança para Orixá sem que ela esteja presente dentro do Ibá Orixá.

Sua utilidade como disse acima, serve tanto para o encantamento como para a proteção da pessoa e da casa. Nessa utilização, essa fava corta os males feitos por feiticeiros e impede até mesmo que o mal olhado atinja a pessoa, sua casa ou seu local de trabalho.

Apesar de ter tantas utilidades, ela não é posta na cabeça da pessoa, cabendo essa utilidade apenas ao obi e ao orobô. Em caso a pessoa ser perseguida por inimigos, basta que se mantenha essa fava dentro de casa ou escritório, pronunciando as palavras litúrgicas para que ela mantenha o ambiente salutar e afastar toda a energia negativa.

Sua utilização dentro do Candomblé é universal, sendo que todas as nações a utilizam e praticamente da mesma forma. Apenas ressalto que somente um sacerdote devidamente preparado pode utilizar essa ou qualquer outra fava nos rituais litúrgicos.

bejerekun




NOMES POPULARES
Pindaiba, biriba, pimenta-de-macaco, pimenta-de-negro, pimenta-da-guiné



NOME CIENTÍFICO: Xylopia aromatica (Lam.)Mart.,Annonaceae



ORIXÁS: Ossaim



ELEMENTOS: Terra / masculino



Planta nativa da América tropical, disseminada no Brasil em áreas de matas secas e cerrados com solos arenosos.



Bejerekun é o nome dado nas comunidades religiosas jêje-nagôs, aos frutos desta e de outras espécies similares de annonaceas.



Seu uso é extensivo a diversos orixás, e entra na composição do àgbo, em alguns "assentamentos", para plantar o àse do terreiro, na iniciação dos filhos de santo e no preparo de atin (pó) com fins benéficos.



Verger cita-a com os nomes populares de pimenta-do-reino, malagueta-preta e pimenta-da-guiné, e atribui as denominações iorubás èèrù, èèrunje e olórin à Xylopia ethiopica(Dunal)A.Rich., a qual não conseguimos determinar se se trata de sinonímia científica ou espécie diferente do mesmo gênero; todavia é utilizada liturgicamente no sudeste africano, em receitas para combater todo tipo de doenças.



O fruto aromático contém óleos essenciais e piperina. è utilizado como substituto da pimenta-do-reino, porém é mais suave e não provoca úlcera nem ardência nos casos de hemorróidas. É estimulante e combate gases intestinais. As folhas e as cascas, bem como os frutos, são considerados antiinflamatórios, e utilizados na forma de chá para combater dores diversas.
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Sangue preto:




reino animal: cinzas de animais;

reino vegetal; sumo escuro de certas plantas, o ilú (extraído do índigo) wáji (pó azul), carvão vegetal, favas, vegetais, legumes, grãos, frutos, raízes e sementes;

Reino mineral: carvão, ferro, osun, otás (pedras), areia, barro, terra.

Alguns chamam de sangue verde, mas a princípio é só a variação de cor pois o verde já está incluso no preto e vermelho.

wáji





Wáji, èlú, ou aro (vegetal, negro) - Lonchucarpus Cyanescens,

Tinta azul em forma de pó petrificado de origem vegetal o qual busca a representação do sangue negro, simbolizando a noite e a relação de ancestres ligados à própria escuridão.

As partes frescas são contundidas a uma polpa, fermentada, seca e vendida nesta forma, as folhas somente são secadas ao sol e são usadas em um estado quebradiço.

Representa o anoitecer.

Este pó azul é utilizado em inúmeros rituais do candomblé, principalmente para assentamentos de orixá "Igba Orixá" e na feitura de santo sobre a cabeça do iaô/elegun. Símbolo da idealização, transformação, direcionamento com o objetivo de proteger contra todos os males espirituas, materiais e psiquicos, principalmente da negatividade de Iyami.

o waji é um elemento muito importante no culto aos orixás, uma vez que, junto com outros elementos, ajuda a proteger a cabeça dos nossos iyawos contra as Ajé. Segunda a crença africana essas pinturas impediriam que eleyé (ave ligada asIyami) pousasse no ori das neo-iniciadas, pois caso isso ocorresse seria um desastre para vida dessa pessoa.

O waji representa a cor dundun (preta), o sangue azul que vem das folhas. Existem diversas espécies que podem ser utilizadas para a produção de corantes azuis como a Isatis tinctoria ,Indigofera tinctoria e o Lonchucarpus cyanescens.

Segundo alguns relatos, as duas primeiras não seriam utilizadas para a produção do waji tradicional, sendo apenas usadas para a confecção do anil (usado para tingir jeans, por exemplo). O verdadeiro waji seria, portanto, retirado do processo de fermentação das folhas doLonchucarpus sp. que é conhecido pelo nome de índigo africano ou índigo yorubá.

O processo de fabricação desse corante era complexo e exigia grande perícia, sendo cercado de prescrições e proibições rituais. Era tão importante que os tinteiros iorubas cultuavam até uma divindade específica para essa finalidade, Iyá Mapo. O pano tingido de índigo significava riqueza, abundância e fertilidade.

osùn





osùn – um tipo de pó vermelho, obtido da árvore Baphia nitida e Peterocarpus osun ambas Leguminosae Papilionoideae.

O pó que tem a cor vermelha é utilizado em vários rituais do candomblé, na construção de assentamentos de orixá igba orixá, nas pinturas sagradas da iniciação ketu, principalmente na construção do adosun (um cone que fica no centro da cabeça do iaô) com a função de transmitir o poder espiritual chamado de axé e livrá-lo do infortúnio gerado por uma das Iyami-Ajé.

Representa o crepúsculo, sangue vermelho, traz boas notícias, a vitalidade, a fecundidade e o nascimento, o sentido da mobilidade e expansão do asé, amplamente utilizado em banhos, atins, ebós, ritos sacramentais afro como feitura, bori, hierarquização e igbás de orixás.
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épò pupá





O azeite-de-dendê, azeite-de-dendém ou óleo de palma é um azeite popular nas culinárias brasileira e angolana e, também, no candomblé.

É produzido a partir do fruto da palmeira conhecida como Dendezeiro (Elaeis guineensis).

Produzido a partir do fruto da palmeira conhecida como dendezeiro é originário da Costa Ocidental da África, mais precisamente do Golfo da Guiné, sendo encontrado desde Senegal até Angola. O dendezeiro é conhecido também como palmeira de óleo africana, aavora, palma de guiné, palmeira dendém, coqueiro de dendê e demdem (em Angola). Chega a 15 m de altura, seus frutos são de cor alaranjada e a semente ocupa totalmente o fruto.

As primeiras sementes de dendezeiro foram trazidas para o Brasil há mais de 3 séculos pelos escravos africanos e se adaptaram bem ao clima tropical. Câmara Cascudo afirma que “como era costume na África, rara seria a iguaria negra sem a participação do azeite de dendê”.

Ele se tornou indispensável na culinária afro-brasileira.
Indispensável na cozinha afro-brasileira, é utilizado em pratos como caruru, vatapá, acarajé, bobó-de-camarão, abará, entre outros. Em Angola, é usado, por exemplo, na preparação da moamba de galinha.

Além do uso culinário, o azeite-de-dendê pode também substituir o óleo diesel, embora seja muito mais caro, sendo ainda rico em vitamina A.
É empregado na fabricação de sabão e vela, para proteção de folhas-de-flandres e chapas de aço, fabricação de graxas e lubrificantes e artigos vulcanizados.
O processo de extração do azeite pode ser artesanal ou não e pode levar horas, já que o fruto de cor marrom ou castanha escura é firme.

A IMPORTÃNCIA NO CANDOMBLÉ

É de grande utilidade e importância em todos os setores de uma casa de candomblé. O óleo de cor avermelhada - epo - é considerado o sangue vegetal e é axé de realização. mas é interditado o seu uso, pela cor, aos Orixás brancos.

É usado em comidas rituais, ebós, feituras e cerimoniais hierárquicos, em ajés, como oferenda, em suma: em inúmeras ocasiões do culto.

O dendê também permite moderar e suavizar situações sendo usado principalmente para divindades que se caracterizam pela luta como Xangô, Ogum, Iansã e Exú. Segundo os mais antigos ele apazigua, acalma os “orixás quentes” e Exú.
Para as Iyámi, é oferecido como forma de substituição do èjè.

Juntamente com o mel e o sal, o dendê é usado como tempero nos ritos de oferendas. O dendê também entra na relação de coisas proibidas. Após às 18 horas é denominado de omi pupa, água vermelha.

banha de ori




O limo da costa, também conhecido como banha de Orí é indispensável no que se refere ao culto dos òrìsà funfun (divindades da supremacia do branco), o limo é extraído de uma árvore africana (Butyrospermum paradodum) e no território africano é chamada de Èmí, Èmí-èmí, Èmí gidi, Èmí gbégi, Akúmálápá e Òrí.

Seus substitutos diretos são: o óleo de algodão extraído das sementes do algodoeiro (Gossypium herbaceum, L. Malvaceae), este produto é conhecido em Yoruba pelo nome de òwú elépà, sendo que a folha do algodão é amplamente usada nos nossos rituais para variados fins, sendo esta pertencente a todos os òrìsàs funfun.

O segundo substituto é o óleo (gordura) de coco karité (Cocos nucifera, L. Palmae) este conhecido em Yoruba pelo nome de Àgbon. Este sim não foi trazido da África, pois se origina da Índia Ocidental, foi integrada ao culto dos òrìsà funfun devido a sua cor branca e suas propriedades medicinais dos quais possuem em sua essência o àsé das divindades do branco.

O terceiro e mais usado pelas nações de candomblé é a banha de carneiro, isso devido à facilidade de se eoncontrar e de se fabricar. O uso deste substituto em questão acarreta um ewó:
Oya (Yansã) tem quizila com carneiro, e isso poderia acarretar danos seríssimos aos iniciados e os igbás em questão.


No Brasil é bastante usado pelo povo do santo, principalmente nos rituais de iniciação ou feitura de santo e no preparo da comida de Orixá, e principalmente como fundamento de igbás de certos Orixás como as yagbás e os orixás funfun.

igì òpé





Igì òpé é a árvore sagrada de Ifá, e é de seus frutos que se obtém os negros caroços que, depois de ritualisticamente consagrados, irão representar Orunmilá em seus assentamentos, além de servirem para as consultas ao oráculo de Ifá onde o próprio Orunmilá é contatado por seus sacerdotes, os babalaôs. Aos caroços assim consagrados dá-se o nome de “ikin”. Existe outras arvores mais nenhuma é tão importante quanto ele.


O dendezeiro é classificado científicamente como "Elaeis Guineensis", pertencente a familia das "palmáceas", este vegetal possui ainda duas variações que são a "communis" e a "idolatrica".

Segundo Verger, a variedade “communis” é conhecida pelos nagô pelos seguintes nomes:Opè pánkóró; ìpánkóró; Opè arùnfó; Opè érúwa; Opè alárùn; Opè eléran; Opè òrùwá, etc.



A variedade “idolátrica” é conhecida como: Opè, Opè Ifá, Opè olífà, Opè kin; Opè ikin; Opè yáaàyàla; Opè peku pe ye; Opè kannakánná e Opè téméré erékè adó.

mariwô

São colhidas sempre as folhas do alto da palmeira, (nunca pelos filhos de Ogum pois é ewó!!!) para serem desfiadas e colocadas no alto das portas e janelas, recebendo então o nome de màrìwò.

Representam a marca do pacto que Ogum faz com as casas de candomblé que ficam sob sua proteção, conforme é citado no Odu Okaran.

Das nervuras do dendezeiro são feitos o xaxará de Omulu e o ibiri de Nanã, atadas com tiras de couro, e utilizadas nas danças rituais, além de serem utilizadas na pintura de Iyawo.

Os coquinhos sem a polpa externa, quando utilizados na prática do jogo de Ifá, são denominados de ikin, Em número de 16, devem possuir 4 pequenos orifícios, representando os olhos de Ifá. Enquanto dois dormem, os outros permanecem em constante vigília.

Ogum é comumente vestido com franjas de mariwô desfiado.
Os orisás que podem se vestir de mariwô com a maioridade hierárquica: Yiá Opará, Yemonjá Ogunté, Oyá (dependendo da qualidade ou caminho) e Ossain.
Os mariwô são comumente usados como barramento de forças negativas, os ajés, fortalecendo e protegendo as as casas de santo sendo colocadas acima dos portais de entrada e locais consagrados dentro e fora dos ilê –asés.

omi-torô






Água de ekó ou omi torô (água de preceito), é a água resultante do cozimento da canjica branca.

Esta água é usada para diversos fins dentro do candomblé, seja qual for a nação, pois produz calmaria e propicia o equilíbrio das pessoas.

É usada como um maravilhoso banho calmante, apaziguando orís em desequilíbrio. Entrando em quase todos os fundamentos de orixá.

Tempera orôs resfriando-os e trazendo o asé.

Afugenta ajés, traz a clareza e a brancura dos orixás fun-fun.


RECEITA DE OMÍ TORÔ TRADICIONAL:
Água da canjica
Água de arroz (dormida no sereno de um dia pro outro)
Água de mina
1 efun ralado
1 pitada de noz moscada ralada
1 acaçá dissolvido
1 bacia de ágata ou terrina de louça

Além de um banho calmante e pacificador, serve como ajé de portão, sendo colocado do lado direito da porta de entrada do barracão, tranqüilizando a casa e os filhos de santo, e esfriando e despachando os ajés na porta.

(Nota: preceito de 3 dias para quem toma esse banho: roupa de cor, carne, sexo e bebida alcoólica nem pensar..

odúndún





Nome Yorùbá: Òdúndún, Elétí.
Nome Popular: Folha da costa, saião, folha grossa, paratudo, erva grossa.
Nome Científico: Kalanchoe brasilienses.



Òdúndún é uma folha de origem brasileira, encontrada praticamente em todo o território nacional. Mas hoje, também já encontramos Òdúndún (Folha da costa) em diversas áreas tropicais de outros continentes.

Muito confundida com Àbámodá (Folha da fortuna), o Òdúndún é uma folha (ewé) Èrò (de apaziguamento), feminina, ligada ao elemento água e a todas as divindades da Criação – Òrìsà funfun.
É utilizada tanto no Brasil, quanto na África (Nigéria), onde é conhecida pelo nome yorùbá de Elétí, em iniciações (Igbèrè) e em medicinas (Oògùn).

No Brasil, nas Casas de Candomblé da Nação Kétu, a mesma é uma das principais folhas utilizadas no Àgbo (composição de elementos vegetais, animais e minerais, utilizado para a sacralização do corpo do iniciado e seus pertences ritualísticos). É também utilizada em oferendas à Obàtálá (Òsàlá) e no sacrifício de animais como o Pombo (Eyelé), a Galinha de angola (Etù) e o Caramujo (Ìgbín).

Utiliza-se também o Òdúndún, junto a outras ervas, para “lavar as vistas” e os búzios (Owó eyo), dos sacerdotes que utilizam-se do oráculo Mérìndínlógún Ifá (Jogo de Búzios).

Na Nigéria, o Òdúndún é uma das folhas que compõe um omi-èrò utilizado pelos Bàbálawo e Iniciados em Ifá (Awo’fá) para lavarem suas vistas antes de abrirem Igbádù (a Cabaça da Deusa Òdù), para que assim possam cultuar a mesma, sem maiores danos para suas vistas e vidas. Também é utilizada juntamente a outras folhas, em um àgbo específico para serem lavados os símbolos ritualísticos de Obàtálá e sua esposa Yèmowó, após os sacrifícios.

Na Medicina e na Fitoterapia, o Saião (Òdúndún) é utilizado no combate a doenças pulmonares, porém, seu consumo excessivo gera pleurisia (inflamação das pleuras pulmonares - Empiema). O saião é cicatrizante, alivia a dor e ajuda a de-sinchar áreas magoadas, machucadas. Aquecida em azeite de oliva, ajuda furúnculos virem a furo. Seu sumo quando ingerido, ajuda no combate a úlceras e distúrbios estomacais.

Òdúndún é uma folha que acalma, apazigua, traz saúde, paz e vida longa – Àláàfíà. Assim como diz uma de suas cantigas:


Òdúndún Bàbá T’èrò‘lè
Òdúndún Bàbá T’èrò‘lè
Bàbá T’èrò’lè
Imalè T’érò’lè
Òdúndún Bàbá T’èrò‘lè

Òdúndún, Pai, espalhe a calma sobre a terra.
Òdúndún, Pai, espalhe a calma sobre a terra.
Pai espalhe a calma sobre a terra.
Divindade espalhe a calma sobre a terra.
Òdúndún, Pai, espalhe a calma sobre a terra.

canela


Foto de ILÉ ASÉ ONAN LAYÓ.


A caneleira (Cinnamomum zeylanicum, sinônimo C. verum) é uma árvore com aproximadamente 10–15 m de altura, pertencendo à família Lauraceae. É nativa do Sri Lanka, no sul da Ásia.
As folhas possuem um formato oval-longo com 7–18 cm de comprimento. As flores, que florescem em pequenos maços, são esverdeadas e possuem um odor distinto. A fruta, arroxeada, com aproximadamente 1 centímetro, produz uma única semente.

A canela é a especiaria obtida da parte interna da casca do tronco. É muito utilizada naculinária como condimento e aromatizante e na preparação de certos tipos de chocolatee licores. Na medicina, empregada como os óleos destilados, é conhecida por 'curar' resfriados. O sabor e aroma intensos vêm do aldeído cinâmico ou cinamaldeído.

A canela é conhecida desde da antiguidade e foi tão valorizada que era considerada um item a ser presenteado a monarcas e outros dignitário

No início do século XVI era trazida por comerciantes portugueses diretamente do Ceilão (atual Sri Lanka, no sul da Ásia), chegando um quilograma a valer dez gramas de ouro. O comércio português no Oriente foi perdido progressivamente para a Companhia das Índias Orientais, holandesa, que se assenhoreou dos entrepostos portugueses na região a partir de 1638.

O USO MEDICINAL:

Os benefícios da canela encontram uma área de ação perfeita na prevenção e tratamento de doenças. Por exemplo, ela é altamente efetiva tanto em gripes ou doenças da pele como o acne.

No referido à primeira, existe um remédio caseiro com canela: um copo de água morna com canela e um pouquinho de pimenta e mel.

O acne pode tratar-se aplicando um pouco de canela junto com suco de limão nas áreas afetadas da pele.

Também os usos medicinais da canela são úteis para problemas digestivos; estimulando a digestão e removendo flatulências. Além disso, aplica-se para tratar o mal hálito como refrescante bucal.

O pó da canela espanta moscas e insetos em geral, por isso antigamente ela era usada em cima de diversos doces e iguarias.


Estudos indicam que o uso de canela na quantidade de uma colher de chá diariamente reduz significantemente o açúcar no sangue e melhora a taxa de colesterol (LDL e triglicerídeos) .
Os efeitos, que podem ser conseguidos ao utilizar canela em chás, beneficiam também diabéticos. Não se sabe ao certo se o consumo de canela é efetiva no combate à hipertensão arterial. Há três estudos em andamento monitorando a questão do efeito na pressão sangüínea.


O USO NOS CULTOS AFRO:

Existem várias controvérsias quanto ao uso da canela nos cultos afro. A primeira é que ela não seria totalmente reconhecida como erva de orixá e não ser reconhecida como tal.

Na Umbanda e Omolokô ela pertence à Ogum, tendo em vista que é uma erva quente, ligada aos chakras sanguíneos, mas apesar disso durante o banho nem a folha nem os paus vão na cabeça. E o pó de canela entra em pembas, banhos de Exu e Orixá, comidas e bebidas de Exú, entre mil outras coisas.

Na maioria das nações de candomblé tudo que é perfumado, cheiroso e refrescante pertence à Oxalá.

Controvérsias à parte, a canela é o condimento mais usado e conhecido no país para banhos, chás, incensos, simpatias e inúmeras outras finalidades.

Seu sabor é quente, doce, terroso. Diz se ter dons afrodisíacos e é muito utilizada como banho atrativo e pra fins de ter lucros financeiros e abrir caminhos.


USO EM MAGIAS ESOTÉRICAS:

Atributo Mágicos - cura falta de dinheiro, nos traz poderes psíquicos, buscas espirituais, amor, sucesso, limpeza, purificação, bênçãos, melhoria das comunicações e também auxilia na meditação.


A canela pode ser usada para atingir um estado superior de espiritualidade e como um auxilio a clarividência e estimular os poderes psíquicos.

Da um impulso a sua criatividade e também pode ser utilizada para reforçar sua vontade e determinação.

A energia da canela torna um complemento ideal para a prosperidade e o sucesso de magias para o dinheiro e aumentar seu poder profissional e auxilia em empreendimentos.

Polvilhar um pouco de canela em seu brinde ou no café com leite pela manhã pode ajudar a melhorar o negócio e também torná-lo propício a riqueza.

Para se proteger da fofoca ou da inveja, coloque um pedaço minusculo de canela junto ao seu chacra cardíaco. Polvilhar um pouco de canela sob o telefone ou no chão frente a porta de entrada, pode ajudá-lo a evitar pessoas indesejáveis de legar ou aparecer de volta.

Chupando um doce sabor de canela, ou mesmo mastigar uma pequena lasca do pauzinho de canela, antes de você fazer uma apresentação ou um discurso, pode ajudá-lo a ser mais eloquente.

A próxima vez que você lavar o chão, adicione uma pitada de canela a água para aumentar o lucro do seu negocio. Isto é especialmente eficaz se for feito em sua cozinha para ajudar toda a família a prosperar na vida.
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mamona (ewê lará)











Nome Yorubá- Ewé Lárà Funfun
Nome cientifico- Ricinus communis L.
Nome popular- Mamona, Mamona Branca, mamoneira, Palma de Cristo.

De origem Africana que era encontrada no Antigo Egito. Ocorre com muita fartura em todo território nacional.

Trata-se de uma erva GUN, de excitação, elemento fogo.

Folha com diversas finalidades nas festividades como Olubajé, ritual de Obaluayie, Sassain, ebós etc...

Muito usada como erva de sacudimento por diversos guias e defumações em diversas casas de todas as nações afro.

Diz-se que ela seca e usada em defumações espanta todos os males de uma casa.

Na Umbanda é pertencente à Exu, e costuma-se até decorar as oferendas de Exu com mamona.

Atribuída a Oxalá (???) em ketu é uma folha muito usada pelos adeptos, sendo indispensável em alguns rituais, como em orôs ou labés a Exu em que se forra o chão com estas folhas.

Bom pelo que eu aprendi tem alguns erós que falam que das 6:00 até às 18:00 hs ela pertence à Ossaim, e após à Obaluaye. Não quero estabelecer um ponto de vista nem ir contra outros axés ou conhecimentos de nossos irmão de culto, cada um emprega conforme aprendeu com seus mais velhos em seus axés.

Pelo que me foi passado pelos mais velhos, a branca (funfun) pertence aos orixás e a mamona roxa (ewe lará pupá) pertence a Exú. Tendo em vista o fato de que toda erva que arde, comicha, pinica e espeta, pertence a Exú essa erva é intoxicante e pode causar desinteria.

USO MEDICINAL
Combate a parasitas intestinais e externamente é usado para combater eczemas, herpes, erupções, feridas, queimaduras e calvície.

As folhas podem ser aplicadas em tumores; - das sementes extrai-se o óleo de mamona que após purificado em laboratório recebe o nome de "óleo de rícino": purgativo, vermífugo; - o óleo rícino é utilizado na fabricação de cremes para os cabelos e tratamentos de pele.

Uma de suas utilizações é para banho de assento para tratamento de hemorróidas.

As folhas cozidas com sal podem aliviar o inchaço dos pés, e contra prisão de ventre uma vez que esta folha possui uma semente que paralelamente é absorvido dele o óleo de rícino, é purgativo

pèrègún








pèrègún - O rei que desperta as divindades na Terra

Nome Yorùbá = pèrègún.
Nomes Populares = Nativo, Pau d’água, Dracena, Coqueiro de Vênus.
Nome Científico = Dracaena fragrans.

Pèrègún, que simbolicamente significa alicerce, coluna. Na África, é considerada uma árvore sagrada, uma “divindade”, é de costume vê-la plantada em lugares sagrados para os òrìsà, junto ou próximo aos seus Ojúbo.

PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ! (É Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra!)
PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN!
(Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além!)

Nesta preparação encontramos referência a uma folha, conhecida pela maioria de nós: o Pèrègún, cujo nome é a contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com a palavra “EGÚN”, que significa espírito, ancestral, etc. Percebe-se então que esta folha tem a finalidade de “chamar (invocar) espíritos”, e que a própria pronúncia de seu nome já funciona como um ofò!. A sabedoria daqueles nossos ancestrais yorubanos que a elaboraram fez esse trocadilho: se Pèrègún pode chamar espíritos, pode chamar a riqueza!


Em Òsogbo mesmo, encontramos muitos pèrègún plantados próximo ao Ojúbo Òsum (santuário de Oxum), divindade que tem a mesma como uma árvore sagrada dentro do seu culto e suas folhas, completamente essenciais ao mesmo.

Também é utilizado para demarcar onde começa os patrimônios campestres de cada membro de um mesmo clã. A origem desta planta é africana, porém, com a vinda de escravos africanos para o Brasil, na infeliz época do tráfico escravista, esta árvore difundisse em nosso país.

É considerada a planta mais popular dentro das Casas de Candomblé (Culto Afro-brasileiro), possuindo uma utilização bastante variada, essencial e indispensável na composição do Àgbo (banho lustral e litúrgico composto de folhas e outros elementos ritualísticos), banhos, sacudimentos, medicinas, magias e etc. É uma folha que possui a regência de diversos irúnmolè como:

Èsù, Ògún, Òsányìn, Òsóòsì,Obalúayé e principalmente Òsun.
É uma folha gún (de excitação).

Masculina e ligada ao elemento Terra.Sua principal ligação com Òsum se dá ao fato do acúmulo de água em seu caule. Não sendo a toa um dos nomes populares desta planta, PAU D”ÁGUA. Por isso, é uma planta que mesmo pertencendo ao elemento terra, possui grande ligação ao elemento água.Muitas medicinas são realizadas com o pèrègún, tanto para chamar e obter a sorte (àwúre oríire), quanto para agradar as feiticeiras (ìyónú ìyámi ).

Como folha gún, de excitação, tem o poder de despertar o transe, por isso é a primeira das utilizadas no àgbo ìgbèrè (banho de iniciação).

É a famosa folha do Yawô, com a qual ele sai nas mãos no dia de sua saída de santo. A folha quente que recebe o yawô, que vai na frente abrindo os caminhos do novo Omo-orisá, trazendo força, equilíbrio e mostrando sua descendência e seu começo no asé.

“Pèrègún ní í pe irúnm olè
l’át’òde òrun w’áyé.

É Pèrègún que chama as
divindades do céu para a terra.

Na África, os àmì (assentamentos) Òsun, são colocados muitas vezes sob a copa desta árvore, no Brasil, isso acontece com osàmì Ògún(assentamentos de Ògún). O Pèrègún é também utilizado como cerca viva em torno do assentamento de Ògún em algumas casas de culto.Uma folha de grande utilização nos àgbo (banhos) de sacramento dos objetos litúrgicos de Ògún, Òsóòsì e Òsányìn.

Pèrègún é utilizado medicinalmente em banhos e chás para reumatismo.


Pèrègún alará gigùn o
Pèrègún alará gigùn
Oba o ni je o roro ókan
Pèrègún alará gigùn
Pèrègún gba agbára tuntun

Peregum, Você é dono de um corpo excitado.
Peregum, Dono de um corpo excitado.
O Rei que não deixa ter problema de coração.
Peregum, Dono de um corpo excitado.
Peregum que dá nova força (revigora).

LENDA PÈRÈGÚN:

Ifá dissera, quando Pèrègún o procurava pela sorte: “Pèrègún, se você quiser ter sorte, deverá ajudar a humanidade, fazendo um pacto com as Ajé (Yiámi Osorongá), para poder sempre ter e poder emanar sorte, para quem lhe procurar por sua ajuda.
Foi então, que Pèrègún tinha feito pacto com Aje antes de vir ao mundo, mas não tinha quem o pudesse levar para Àiyé.
Novamente foi a Ifá, e este dissera: “Pèrègún se você quiser realizar o seu trabalho em Àiyé procure por “Ògún”, pois ele sempre está indo para Àiyé.
Pèrègún procurou por “Ògún”, mas ele só levaria Pèrègún, se ele dividisse a sua sorte com ele.
Foi então que Pèrègún tinha aceitado, e por essa razão “Ògún” lhe dissera: “Vou dizer a toda humanidade, que Pèrègún emana a sorte, e quem com ele ficar será agraciado com a mesma”.
Desde então Pèrègún então foi conhecido, e muito procurado por todos em Àiyé.

“Peregun”, a sorte de nossos opositores ficam a nosso favor.



LENDA DE PÈRÈGÚN 2

PÈRÈGÚN, A DONZELA ARROGANTE


Pèrègún era uma bela donzela e filha única de um jovem casal. Com o passar do tempo a donzela cresceu, sendo dotado de uma beleza que atraia a atenção de todos. Era costume da aldeia que os pais procurassem um noivo para suas filhas quando as mesmas atingissem determinada idade. Entretanto a jovem recusava a todos, pois se achava bela demais para casar com qualquer um. Sempre inventava uma desculpa ou defeito para o pretendente.
Diante das sucessivas recusas de sua filha a mãe de Pèrègúnlhe dizia:

“Osàn tó rí gbajúmò ti kò wò, eiye igbó lásán ló maa fi mu!
(Qualquer laranja madura que não cai em bom momento para servir de comida aos homens acabará sendo devorada pelos pássaros selvagens).

A jovem ouvia o conselho da mãe, irritada, e dizia que só se casaria com um homem que considerasse muito especial. Com o tempo todos da aldeia já conheciam a fama da jovem Pèrègún, a donzela prepotente e arrogante. A notícia se espalhou por outras aldeias e cada vez mais pretendentes se aventuravam para conquistar o coração da bela Pèrègún.

Certo dia apareceu na aldeia um jovem de uma beleza sem igual, com o porte de um príncipe, montado em um garboso cavalo branco. Assim que Pèrègún avistou o desconhecido se apaixonou por sua figura imponente. O jovem informou que vinha de um reino distante e que havia chegado àquela aldeia para se candidatar a mão de Pèrègún. A jovem estava encantada e aceitou o pedido de casamento na hora, sem nem ouvir a opinião de seus pais.

Segundo os costumes iorubanos não se contratava casamento antes de se conhecer a linhagem do pretendente, suas raízes, quem eram seus pais. Por isso os pais de Pèrègún insistiram para que ela desistisse da ideia de se casar com aquele desconhecido. De nada adiantou, a jovem ainda disse: Que se dane a Tradição! Tradição idiota!


Como nenhum argumentou funcionou o casamento foi marcado, porém sem as etapas e cerimônias costumeiras deidana, ou seja, sem trocas de presentes e pagamento de dote por parte dos familiares do noivo à família da noiva.

Após todas as festividades o noivo pediu a permissão dos pais para levar sua noiva para o seu reino, que com muito choro e tristeza lhe foi entregue. Toda a família seguiu em caravana, acompanhando a jovem até os portões de saída da aldeia, momento em que Pérègún e sua mãe começaram a trocar o Tradicional èkún ìyàwo (cantigas de lamentação que a tradição iorubá obriga cada noiva a recitar, recitando na noite do seu casamento, no momento doloroso da despedida de seus familiares.

Essas cantigas representam um diálogo entre a noiva e sua mãe no momento de despedida). A jovem entretanto sequer se lamentou pela separação simbólica de sua família, pelo contrário, respondia de forma arrogante, dizendo que não queria ser importunada por seus pais durante seu casamento.

O diálogo entre mãe e filha seguiu até o terceiro portão que demarcava o final da aldeia. A partir daquele ponto Pèrègún e seu marido seguiriam sozinhos. Os dois cavalgaram pela estrada até ao se afastarem o suficiente da aldeia, seu marido começou a seguir para a floresta.

Após caminharem na floresta por toda a noite os dois chegaram a uma clareira nomeio da floresta, onde seu marido desceu do cavalo. A jovem se alegrou, pensando se tratar de uma pausa para descansar da viagem.

Para a surpresa da jovem, seu marido começou a despir seus trajes finos. Depois disso ele arrancou um de seus braços, jogando-o longe e agradecendo aos gritos: Obrigado por ter me emprestado o braço, estou devolvendo! Da mesma forma o belo rapaz foi se livrando de seu outro braço, pernas, tronco e pescoço. Sempre lançando para a floresta e agradecendo. Pèrègún observou a tudo, petrificada. A única parte que sobrou foi a cabeça, que parecia muito maior que de costume.


A jovem donzela quis fugir, diante daquele espetáculo macabro, mas foi subjugada por seu marido, ou melhor, o que sobrara dele. Aos berros ele dizia:

– Você não disse aos quatro cantos do mundo que só se casaria com um príncipe, pois bem peguei emprestado com meus amigos espíritos das florestas as partes de um corpo e me transformei no seu tão sonhado príncipe. Olhe bem para mim, eu sou um iwín, um espírito da floresta! De agora em diante você será minha esposa e minha escrava, terás que fazer tudo que eu lhe ordenar. Nunca mais verás seus pais ou familiares!

De nada adiantou o choro e as lágrimas de Pèrègún, daquele dia em diante todos que se aventuravam a caminhar pela floresta nas altas horas da noite poderiam cruzar com um iwínsem corpo que arrastava consigo uma bela donzela, que chorava o tempo todo.

igbin





O Igbin, também é conhecido como Ibi, Aruá do Mato, Ibi Africano, Caracol Gigante Africano, lesma, etc.

O termo designa o molusco gastrópode terrestre, com concha, corpo prolongado e tentáculos na cabeça.

Os caracóis (igbin) estão associados à Obatala, divindade da criação, e seu fluido é oferecido a esse orixá para que seu coração seja abrandado.

Essa espécie de caracol do mato simboliza a fecundidade.

Ìgbín também é a forma com que se designa o tambor de Obatala (Igbin Oosa) e a cadência rítmica lenta em louvor a Oxalá.

O Igbin ou ibí, que é chamado o boi de Oxalá, é sua oferenda favorita juntamente com o Ebô.

De acordo com a tradição dos mais velhos, a força do igbin ofertado é tão grande que ele equivale a um bicho de quatro pés.

Esse bicho é considerado o animal oficial de Oxalá e todos os outros orixás fun-fun.

Ele traz em si o sangue branco, de natureza fria, acalma o orí, tranqüiliza, aprofunda a espiritualidade e o nível de consciência das pessoas.


Ao discorrermos sobre o IGBIN, chamado também de IBI, IBI AFRICANO, logo nos vem à mente o Pai mais velho, Oxalufan.

Logicamente, o IGBIN é associado a Obatalá, divindade responsável pela criação, e para que esta divindade seja apaziguada, oferecemos o fluído do IGBIN.

Nunca devemos nos esquecer que a comida predileta de OXALÁ é o IGBIN,juntamente com o EBÔ e é fundamental nas obrigações e feituras de cabeça.

Muitas pessoas , ao ouvir se pronunciar IGBIN, já vão imaginando Oxalufan em suas mentes, pois é um OXALÁ muito velho, apresentando–se curvado pelos anos, apoiando seus passos sobre o OPÁ OSÒRÓ, que é descrito como um grande bastão de metal branco.


Podemos fazer um comparativo da dança de OXALÁ com os passos do IGBIN, devido a lentidão que apresentam.

okotô






Assim como existe um igbin consagrado a Oxalá, existe um caracol escuro que é ofertado a Exú. Ele é o caracol agulha, chamado òkòtó pelos yorubanos.

Muito usado no artesanato ritual, assim como em igbás exu, ebós, oferendas (labés e orôs) e até mesmo em feituras e borís. 

Como me foi ensinado pelos mais velhos: o ejé desse igbin não vai ao orí.

Seu casco pode ser fervido e utilizado em banhos como atrativo à riqueza.

Ele representa a espiral, a escalada espiritual que começa na terra, e se dirige ao céu: à espiritualidade elevada.

Está diretamente ligado a Exu Okotô: o dono da evolução, que é aquele que mostra a evolução de tudo que existe sobre a terra, e está ligado ao Orisa Aje Saluga, o antigo orixá da riqueza dos Yoruba.

agbè






AGBÈ pena azul extraída da cauda da ave africana Turaco da família dos Musophagidae Touraco porphyreolophus. Descrito nos mitos, como o pássaro que carregava a boa sorte e a riqueza para Olokun – Divindade dos Oceanos. 

Para que possa agir tem que ser utilizada em contrapartida com o Àlùkò. Atrai a sorte e tudo de necessário para a vida do ser. (pena de cuco).
Agbè é uma pena preta azulada extraída da cauda da ave africana, Turaco.

É usada nos rituais e nos assentamentos dos Òrísà(s) como símbolo de descendência e de resistência contra as necessidades. Os relatos do Ifá descrevem Agbè como o pássaro que levava para Olókun (Dono do Mar, pai do orisa Ajè Saluga, e Iyemonjá), riqueza e boa sorte.

Tornando-a, dessa maneira, um símbolo de prosperidade e de vitória contra as dificuldades da vida...quando usada junto com as demais penas, traz para o filho muita sorte e valores materiais, usada normalmente em uma saída dentro de nossa cultura...

àlùkó





ÀLÙKÒ pena de cor púrpura (entre escarlate e violeta) extraída das asas da ave africana Turaco da família dos MusophagidaeTouraco ruspolii. Descritos nos mitos, como o pássaro que carregava a boa sorte e a riqueza para Olosa – A Divindade das Águas Doces. 

Da mesma forma que sua contrapartida, somente age em companhia do Agbè. Alukó = Usa-se em parceria com Agbe, cria condições favoráveis para que a pessoa encontre seu caminho. (pena de galo das Campinas).

Alukó analisando irmão do agbè, só muda na cor, é a pena (púrpura/escarlate) da cauda desse pássaro. Os relatos do Ifá a descreve como o transportador de riqueza e boa sorte para Olóòsá (senhor das águas doces). Nos rituais tem os mesmos significados da agbè, ou seja, ambas se complementam.

Quando se juntam, forma o poder de riqueza, usada em tudo que se relaciona a coisas materiais, pois possui muita força neste segmento.....fazemos até sabonetes para boa sorte com estas duas penas... Elas devem estar sempre nos assentamentos dos awon orisa ...


Agbe e Aluko são muito usadas em diversas magias para atrair a sorte (awure), participam no processo iniciático em banhos que serão aplicados ao neófito e, no Osu que o elegun irá carregar. Também são colocadas em assentamentos de determinados Orisas.

lekéleké




LÉKELÉKE pena de cor branca, extraída da ave Bubulcus ibis conhecida popularmente por garça-vaqueira ou garça-boieira, nativa da África e do Sul da Europa, que invadiu a América do Norte no início do Século XX e atingiu o Brasil na década de 1960.

Descritos nos mitos como o pássaro que carregava a boa sorte e a riqueza para Òrìsà Nla e toda a sua corte. Símbolo por excelência de todos os Òrìsà Funfun. São geralmente empregadas em assentamentos de Obatala, Awodi (penas de falcão) e etc.

Além de ser como todas as plumas um símbolo de descendência, o pássaro é tido com aquele que carregava boa sorte e riqueza para Osala – Grande Orixá... É a pena da garça, aonde achamos ela aqui no Brasil, até com extrema facilidade, associada tb ao poder de ori, trazendo então a força da riqueza para ori.

A grande verdade, é que a junção das penas fara com que sua vida entre em força, muitos não conhece seu poder, achando somente importante a pensa de Ikodidé, porém todas tem uma significativa importância...ainda existe várias outras penas, que são usadas nos rituais...


A cantiga:
Agbè lo laró Ki raun aro
Alukò lo lósùn Ki raun osùn
Lékeléke ki lo léfun Ki raun efun
Emi ni yio léke òta mi o

Agbé tem penas azuis, Que nunca lhe falte o azul
Alukò possui penas vermelhas, Que nunca lhe falte o vermelho
Lékeléke tem as penas brancas, Que nunca lhe falte o branco
Que eu fique acima de meus inimigos

Outra versão:
Agbe ló l’aro, ni rárà o kò l’aro…
Àlùkò ló l’ósùn, ni rárà o kò l’ósùn…
Leke-leke ló l’efun, ni rárà o kò l’efun…
Emi ni yio léke òta mi o

Agbè que colhe azul (wají) dificilmente ficará sem azul (wají)
Àlùkò que colhe osun dificilmente ficará sem osun
Leke-leke que colhe efum dificilmente ficará sem efum
Que eu fique acima de meus inimigos

idé- agolas de braço





Os aros de metal dourado, prateado, de cobre ou de barro são muito usados nas religiões afro e também são insígnias. Significam jóias. Representam a riqueza, a realeza, a beleza ligada aos orixás.

Representam a aliança inquebrável do homem com os orixás. São o elo entre o material e o espiritual. Por isso os yawôs e neófitos em várias nações as usam em seus braços representando a energia do seu orixá e de seu odu, e que são as “noivas do orixá” e estão consagrados à eles.

Representam o círculo perfeito, que flui eternamente em todas as forças da natureza.

Idé foi um dos filhos de Oxum e o mais amado, e com ela juntamente com Ogum Waris, tem o segredo da forja dos idés, das jóias dos Orixás.

Existem os idés de braço, os idés de igbá e também se usa o idé de pescoço.


A cor do idé varia conforme a cor do metal utilizado e da preferência do Orixá da pessoa.

Os de braço são aqueles maiores usados como pulseiras e podem ser de vários materiais além do ferro, variando de nação para nação e de axé para axé: de ouro, prata, cobre, chumbo, marfim, madrepérola, coral, de cristal, de barro entre outros. E estes também podem ser colocados nos igbás em alguns casos.

Os de igbás são menores, e costumam ser apenas de ouro, prata, cobre, chumbo, e barro.

Os idés de pescoço são grandes, curvados nas extremidades e usados como indumentária de orixá na maioria das vezes por pessoas graduadas hierarquicamente, ou orixás ligados à riqueza, à prosperidade e à beleza. Mas seu uso também é variável e algumas nações o yawô já sai com esse idé na sua primeira saída.

peixe (ejá)






O peixe é visto como símbolo da fecundidade e da fraternidade pelo povo de santo. Representa o pão de cada dia, a manutenção da alimentação. 

É radicalmente ligado à vários orixás: Yemanjá, Oxum, Oxalufã, Oxoguiã, Logunedé e todos os orixás ligados à água e à pesca.

O peixe é o próprio espírito das águas, sendo que esta representa o fluído vital, o fluxo de informações e conhecimentos espirituais e materiais. Por isso também representa a sabedoria repassada pela descendência. O peixe sonda os abismos, vai à lugares profundos e também à superfície das águas, por isso ele detém o conhecimento da busca da espiritualidade.

O peixe representa as potencialidades individuais de cada um, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho

O peixe é comida ritualística em vários pratos e oferendas de orixá, entra no borí e na feitura em consagração à Yemonjá e esta representa a mãe dos filhos-peixe.

O peixe é um ótimo alimento ritual que equilibra e acalma o orí, devido à seu sangue frio.

Entra em ebós ajé, de odu e de orixá.

Adorna roupas, paramentos, igbás, vai em atins sendo seco e defumado, entre tantas outras utilidades.

Segundo as tradições mais antigas, é vedado o uso e alimentação dos peixes de couro, pois estes vivem enterrados na lama e no lodo e não trazem boas energias ao povo de santo, e seu ejé não é puro.

E na maioria das casas de asé o ewó de Yemonjá é também se alimentar de peixes e frutos do mar, pois esta estaria se alimentando dos próprios filhos. Muito se fala que a quizila de Yemonjá seja o peixe vermelho, apesar que segundo os itans o ewó de Yemonjá seria um único peixe: cioba.

ikó (palha da costa)




Palha-da-costa é a fibra de ráfia, conhecida como ìko pelo "povo-do-santo", extraída de uma palmeira chamada Igí-Ògòrò pelo povo africano. No Brasil, recebe o nome de Jupati, cujo nome científico é Raphia vinifera.

No Candomblé representa a eternidade e transcendência, como prova da imortalidade e reencarnação, utilizado na confecção das roupas dos Orixás, em especial Obaluayê, Omolu (Sakpata) e também como adereços e item ritual nas indumentárias de vários outros orixás como: Ogum, Oyá, Ewá, Obá, Nanã, Irôko, Ossaim,sendo radicalmente pertencente aos orixás da terra (família karejebe).

Seu uso é indispensável na iniciação feitura de santo no sentido de proteger a vulnerabilidade dos neófitos.

É usada também como a “bucha do yawô”, juntamente com o sabão da costa em seus banhos de asseio e espirituais dentro do período da feitura, e anos de santo. Assim como em osés nos igbás.

Esta mesma palha trançada com espessura de um dedo mindinho e comprimento de um metro, chama-se Ikan, popularmente chamado de contra-egun pelos leigos e até mesmo pelo povo de santo. Geralmente amarrado nos braços e cintura dos iniciados, com a finalidade de afastar as energias negativa e espírito malévolo, impedindo a incorporação de egun (espírito de morto).
• "Umbigueira", (recebe este nome quando é amarrado na cintura).
• "Mokan", (recebe este nome quando é ornado com búzio da costa), é um colar de palha trançada que é usado no pescoço junto com o delogun e seu comprimento é até o umbigo.
• "Contra-egun", (recebe este nome quando é amarrado na dobra da parte inferior da junção entre braço e ombro).

Popularmente é muito utilizada como banho de descarrego junto com o sabão da costa, serve para descarregar, purificar e fortalecer as pessoas dentro e fora dos asés.

adjá







adjá, adjarin, ajá, (ààjà do yoruba), é uma sineta de metal, utilizada pelos sacerdotes do candomblé durante as festas públicas acompanhando o toque e nas oferendas, com a finalidade de chamar os Orixás, ou provocar o transe.

O objeto pode ser de uma, duas ou três ou até 4 sinetas (bocas), e o cabo é do mesmo material que pode ser de bronze, metal, dourado ou prateado.

Atualmente existem no mercado muitas variações, e se adornam estes com búzios, pedrarias, miçangas, palha da costa entre muitos outros enfeites, dependendo do axé e do gosto dos adeptos.

Um instrumento sagrado e sem substituição nos rituais do Candomblé.

É comum vermos nas rodas de Candomblé, pessoas mais velhas de santo, tocarem esse instrumento enquanto dançam para os Orixás.

Seu manuseio, no entanto é vedado aos que ainda são yawôs, ou seja: àqueles que ainda não possuem sua obrigação de sete anos. E também aos não iniciados nos preceitos da religião.

Durante a dança o instrumento serve para invocar e manter a vibração do Orixá na sala, para que a energia não saia daquele local onde está sendo realizada a festa. Quando se dança com algum santo, ou seja, quando uma Ekédi ou um sacerdote ou sacerdotisa dançam acompanhando algum Orixá, o som desse instrumento serve para guiar o mesmo durante o ritual.

Já em determinadas situações como rezas e outras obrigações, o adjá tem a função de chamar nossos Orixás para aquele rito, fazendo com que os mesmos abandonem temporariamente sua morada no Orúm, Céu, para se manifestarem sem seus filhos, ou, quando for um Ogã ou uma Ekédi ou ainda alguém mais velho de santo, ele guia o Orixá até aquele local para que o mesmo possa permanecer ali invisível e assim dar a assistência que seu filho ou crente solicita.

Também usamos o adjá para anunciar o inicio de algum ritual ou para chamar a atenção das pessoas para algum ato importante.

Como tudo no Candomblé, o adjá passa pelo processo de imantação e dado a esse, é que somente pessoas autorizadas podem tocá-lo.

De Exú a Oxalá, todos eles respondem ao chamado desse instrumento litúrgico, bastando que a pessoa saiba como utilizá-lo. Seu som chama a atenção dos Orixás, anunciando que alguma coisa está sendo feita naquela casa.

O adjá provoca o transe das pessoas quando tocado acima de suas cabeças, pois no processo de imantação ele recebe as energias do sacrifício que foi oferecido a determinado Santo.

Pessoas que ainda não possuem direito a usá-lo, são imediatamente incorporadas por seu Santo, ao pegarem no mesmo. Nosso zelador utilizou aquele instrumento para chamar nosso Orixá, desde nosso bori até nossa iniciação, assim sendo, como vamos sair tocando adjá sem termos recebido autorização para tal? Vale lembrar que: quando recebemos autorização para manusear esse instrumento, nosso Orixá costuma vir em terra para que seja “quebrada a quizila” e assim, ele possa reconhecer nosso direito.

Usado em cerimônias festivas ou não, o adjá é de suma importância no Candomblé e se você ainda não tem “mão de adjá” ou seja; não está autorizado a fazer uso do mesmo, não faça, não pegue nem utilize, pois as consequências podem ser graves.

macassá






Nome científico: Aeollanthus suaveolens Mart. ex Spreng

Nomes populares: Macassá, catinga de mulata, bergamotinha, taia.

Aeollanthus suaveolens, conhecida popularmente como massacá ou catinga de mulata, é uma erva de origem africana introduzida na cultura brasileira durante o processo de colonização. Pertence à família Lamiaceae e é uma erva anual ocorrente na Amazônia.

A planta é usada pela população em banhos de cheiro feito pela infusão de plantas aromáticas, em motivos religiosos ou folclóricos, e em perfumes caseiros.

No folclore é usado para quebranto. Na etnomedicina é usado no combate à febre, dor de cabeça, início de derrame, sendo a folha a parte mais utilizada como chá e sumo.


Uso no Candomblé:

Regência: Oxalá, Yemonjá e Oxum
Elemento: água / feminino / eró

Muito utilizada em banhos de asé sendo popularmente usada como banho atrativo e afrodisíaco, entra na composição do agbô, na lavagem e sacralização de elementos rituais, como igbás, fios e outras indumentárias.

Como é uma planta eró, fria pode ir ao orí sem problemas. Não causa quizilas, é calmante e refrescante e segundo a tradição atrai a boa sorte e a felicidade.

aguidavi







Aguidavi são varetas utilizadas para a percussão dos atabaques no candomblé na nação ou cultura ketu-Nago. 

São confeccionadas com pequenos galhos das árvores sagradas do candomblé, geralmente da goiabeira (psidium guaiava) e araçazeiro (psidium littorali), medindo cerca de trinta (30) a quarenta (40) centimetros.

Este objeto sagrado deve ser preparado pelos iniciados do candomblé em especial pelos ogans, depois de descascados e lixados, devem passar por rituais específicos de sacralização para ser utilizados durante os cultos, cerimoniais e nas festas.



Ritmos executados no Candomblé de Ketu

Hamunha ou Avamunha : Toque que servem para saída e recolhimento de filhos e orixás.

Adarrum ou Adahun : Toque que serve para chamar orixás

Opanijé : Toque para o Orixá Obaluayê

Alujá : Toque para o Orixá Xangô

Ijexá : Toque para o Orixá Oxum

Ilú ou Ylú : Toque para o Orixá Oyá

Agueré : Toque para o Orixá Oxóssi

Igbi : Toque para o Orixá Oxalá

Batá : Toque para o Orixá Oxalá

Bravun : Toque para o Orixá Oxumarê

Sató : Toque para o Orixá Nanã

Barra vento: Toque de Angola e Congo executado algumas vezes para Oyá


A percussão no Candomblé de Ketú é executada pelo aguidavi, ou por vezes com uma mão e um aguidavi, dependendo do ritmo e do atabaque que está sendo tocado.


Dobrar os couros – é um repique lento sequencial e cadenciado que é feito para homenagear visitas ilustres que estão chegando no terreiro, praticamente é o convite para a pessoa entrar.

Durante a festa, quando chegam os convidados ou sacerdotes e ogans de outras casas, interrompesse o toque que está sendo executado para os orixás e dobrasse os couros, após a entrada dos convidados o toque é retomado normalmente.

Algumas casas de candomblé não usam dobrar os couros para as visitas, mas a maioria considera isso uma honra.

Eu acho isso uma falta de educação, de hungbé, de humildade por parte da hierarquia de uma casa, pois existe uma etiqueta, uma linha de comportamento e socialização que todos os umbandistas e candomblecistas devem seguir, e com certeza muitos se esqueceram das lições dos mais velhos e suas tradições.

Dobra-se os couros também em outras ocasiões, mas sempre para homenagear. Nas casas de candomblé bantu Angola e Congo são tocados só com as mãos, não se faz uso dos aguidavi.



Os Atabaques e a Tradição

Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu),Xicarangoma (nação Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) que é o responsável pelo RUM (o atabaque maior), e pelos ogans nos atabaques menores sob o seu comando, é o Alagbê que começa o toque e é através do seu desempenho no RUM que o Orixá vai executar sua coreografia de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum. O Rum é que comanda o RUMPI e o LE(pequeno).

Na Umbanda os toques são executados pelos Alagbês, Ogans e Curimbeiros(as), a hierarquia dos Ogans e o nome dos atabaques na Umbanda são os mesmos do Candomblé, já que no começo da Umbanda o atabaque não fazia parte do ritual. Só sendo incorporado ao ritual mais tarde, pela sua força e importância.

Os atabaques são chamados de Ilubatá ou Ilú na nação Ketu, e Ngoma na nação Angola, mas todas as nações adotaram esses nomes Rum, Rumpi e Le para os atabaques, apesar de ser denominação Jeje. Na Umbanda os ataques são chamados de “Engoma”, mais comum, ou Ilú.

Os toques

A Umbanda inicialmente possuía apenas um toque, chamado Umbanda Angola, incorporando mais tarde os ritmos congo de ouro, cabula, ijexá e barra vento do Candomblé de Angola.

Ritmos executados na Umbanda

Umbanda Angola

Congo de Ouro

Cabula

Barra Vento

Ijexá



Ritmos executados no Candomblé de Angola

Arrebate

Congo de Ouro

Cabula

Barra Vento

Alujá

Ijexá

Muzenza

abô (omí-eró)







Dentro das nações de Candomblé, e até algumas umbandistas existem vários ebós que se destinam à limpeza do corpo e do espírito de um ser vivo. Eles servem para desmanchar tudo de ruim que existe nesse ser, desde o negativo de seu odú, até mesmo, trabalhos de magia negra que foram realizados contra ela.

Dentro desses ebós, existe como complemento, o banho de abô. Esse é preparado com várias ervas que são maceradas em água limpa, e seu processo é complexo: começamos com a escolha do dia em que vamos até a mata para recolhermos as ervas que deverão ser utilizadas na preparação desse banho.

Após a escolha do dia, tanto o zelador como as pessoas que vão lhe auxiliar, devem se resguardar por um período de três dias, sem sexo, bebida alcoólica ou qualquer outro elemento que “suje” seu corpo.

Na véspera de se ir à mata para recolher as ervas, deve-se preparar os presentes para Ossaim: mel, fumo de rolo picado, búzios, moedas e até suas comidas rituais a fim de que o mesmo nos permita retirar as folhas sagradas.

No dia seguinte antes do sol esquentar, as pessoas saem do barracão vestidas de branco, e sem conversar nada pertinente ao mundo, adentram na mata para recolherem as ervas que servirão para preparar o banho, que podem variar de caso para caso.

Após recolherem as ervas, as pessoas voltam para o barracão e deixam as folhas descansarem por um período de no mínimo seis horas para somente depois começarem a preparar o banho. Todo esse processo é restrito às pessoas devidamente preparadas e com tempo de feitura suficiente para se saber como se prepara o abô.

O banho de abô deve ser condicionado em um pote de barro, denominado porrão, também sagrado para os rituais de Candomblé seja ele de qualquer nação.

Assim o abô era feito antigamente, quando as casas de santo eram roças de orixá distante das cidades grandes e se tinha acesso à matas, e não se tinha acesso a carros, e outras tecnologias...

Após seu preparo o omin eró tem a função de limpar o corpo das pessoas e, no caso de iniciação é ele que vai trazer o Orixá para a terra. Nunca devemos usar esse banho com outra finalidade que não seja a de limpeza, pois seus fundamentos são muito grandes, e após tomarmos esse banho, nem mesmo caboclo ou outra entidade de Umbanda se incorpora em seu médium.

A maioria dos elementos rituais numa casa de santo são passados nos banhos de abô para sua purificação: alguidares, louças, fios, montagens, paramentas, artigos dos igbás, roupas, até o chão barracão é lavado com abô.

Muitos assistentes costumam ir nas casas de santo e levar numa garrafa abô para lavarem suas casas ou tomarem banho.

O banho de abô tem muita utilidade dentro do axé orixá, e casa nenhuma deve ficar sem o mesmo, pois sua força é muito grande e, ele tem a força para repelir qualquer aproximação inferior. Uma pessoa obsediada melhora imediatamente, e nenhum egun fica encostado no momento em que se joga o banho de abô. Se continuar passando mal é marmotagem e invenção da pessoa (animismo).

Espíritos errôneos jamais se aproximam de uma pessoa que toma esse banho, pois sua essência aproxima de forma direta o Orixá da pessoa e este jamais compactua com espíritos inferiores.


O ERÓ DO ABÔ:

As ervas escolhidas para a composição do abô são um segredo que varia de nação para nação, de zelador para zelador e por isso não se divulga essa seleção. Geralmente as ervas eró (frias) são as mais usadas, mas as quentes (gun), e as outras entram nessa composição para equilibrar também. A lista é muito extensa, variada e revelada somente aos iniciados nos cultos e pessoas graduadas hierarquicamente.

Com tempo o abô amadurece, as folhas imersas na água e o sumo das folhas começam a se decompor (responder) e este fica com um cheiro forte e característico. Diz-se os mais antigos que o cheiro forte do abô afugenta toda a negatividade.

Nunca se deve falar que “o abô fede” isso quizila a Ossain e o banho não surte efeito.

Em algumas casas o abô “come”, são feitos sacrifícios dentro do pote, ou quando Ossain come, vai um pouco de ejé dentro deste.

Em outras casas há a tradição de se beber o banho de abô (...) em alguns casos, tipo se a pessoa ingeriu bebidas alcoólicas antes de se chegar na casa de santo.

Em alguns templos umbandistas o abô é preparado com os temperos dos orixás como: orí, dendê, mel, sal, azeite, pemba.

Vale ressaltar que esses fundamentos são variáveis e não “via de regra” e estes são adotados conforme os preceitos e fundamentos dos zeladores e suas respectivas nações.

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