REVISTA CARAS EM 2011

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terça-feira, 8 de março de 2016

Ợbàtálá


Este trabalho retrata a forma como Ợbàtálá é cuidado em uma determinada região nigeriana (Osogbo), não é uma fonte que deva ser levada ao pé da letra, uma vez que o escritor informa-nos que pode haver e há diversas formas de se cuidar dessa divindade.
Mostraremos uma forma/aspecto de se cuidar de Ợbàtálá relatada pelo escritor denominado abaixo.
As duvidas, queixas e/ou qualquer tipo de discordância devem ser direcionadas ao escritor, que tem seu blog ativo na Web.
http://www.gbawoniyi.com/Articles.html
As anotações em negrito são de minha autoria.

Ire Alaafia.

Odé Ợlaigbo

Por Oloye Aikulola Iwindara Fawehinmi, Gbawoniyi de Osogbo, Estado Osun.





Ợbàtálá também conhecido como Ọbanlá (O Grande Rei), Òrìșàlá (A Grande divindade), Óòşààlá Òsèèrèmagbò e Òrìşà Igbowuji, é uma divindade de suma importância dentro da cultura yorùbá. Sua presença se estende por todas as terras yorùbá da Nigéria a Republica do Benin na África ocidental e também na diáspora yorùbá que inclui países como Brasil, Cuba, Trinidad e Tobago, Estados Unidos, Porto Rico, Panamá, México, Espanha e até a Inglaterra.

O conceito de que a divindade (Òrìşà) Ợbàtálá é quem cria a essência da hierarquia está baseada em anos de idade e responsabilidade. Ele é um òrìşà completo, e simples em alguns atributos físicos ou iconográfico, ele vê muitos aspectos da experiência humana e ajuda-nos a solucionar os problemas mundanos dos seres humanos.

Ợbàtálá é a divindade yorùbá da criação dos seres humanos desde o princípio e até hoje no ventre da mãe grávida cuja mão é necessária para criar a obra de arte que está dentro desse corpo. A parte mais importante do corpo que Ợbàtálá cria é o Ori, que representa, além da consciência e da mente do indivíduo, contém o destino que é entregue por Àjàlá Mopin, aquele que molda os destinos no Ợrùn antes de alguém nascer.
Diz-se que é Ògún quem provém os ossos durante o ato da criação de Ợbàtálá quando o feto se forma. Mulheres que querem filhos pedem ajuda a Ợbàtálá, como primeira ou última opção. E seus sacerdotes muitas vezes usam água límpida de seu pote de barro chamada de ‘Awe’, que é sempre encontrada ao lado de seus ícones sagrados em seu Ojugbò. Essa água que nesse momento tem que ser chamada de agbo, ou medicina, é bebida para curar infertilidade, prevenir enfermidades, a morte repentina de filhos e inclusive para conseguir o desenvolvimento espiritual e econômico.

Em seu aspecto criador de seres humanos Ợbàtálá também é o òrìşà patrono de pessoas chamadas “Eni Òrìşà”, ou pessoas de Ợbàtálá. Estas incluem os Albinos, Corcundas, portadores de necessidades especiais e anões. Todas as pessoas que nascem diferentes estão sob sua proteção. É Ợbàtálá que na cultura yorùbá nos ensina a respeitar as pessoas que são diferentes ou que tem necessidades especiais,

Durante a criação dos primeiros seres humanos, diz-se que foi Ợbàtálá quem os moldou com barro, depois de muitas horas de trabalho. Ele bebeu o sumo da palma sagrada (Òpę) quando não havia água limpa perto dele e a sede era grande. Porém, passadas algumas horas com o sol forte, o sumo atuou em sua mente e alguns corpos fabricados nesse período começaram a se deformar. Quando ele ficou bom da embriagues, Ợbàtálá, percebeu seu erro e com muito remorso prometeu nunca mais beber vinho de palma, “Emu òpẹ” e tornou isso tabu para todos os seus filhos até hoje.

Esse conto também nos revela que Ợbàtálá é o pai, de uma forma ou de outra de todos os seres humanos criados.
Ele também tem um aspecto feminino, não somente por meio de sua esposa principal Iyemoo. Porém, o mais interessante, é que são as mulheres que fazem obras de arte utilizando o barro na cultura yorùbá. Ợbàtálá está intimamente ligado a fertilidade e a concepção, algo que é especialidade das mulheres sacerdotisas nas terras Yorùbá.
Não é tão difícil de ver que no ato sexual os casais o sêmen é o representante criativo de Ợbàtálá em sua brancura. O liquido do igbin também tem semelhança com o sêmen e é utilizado para apaziguar e refrescar divindades e até seres humanos.

Um de seus nomes de louvor “Alábáláse”, o dono do desejo e de sua manifestação, nos ensina que para poder criar Ợbàtálá utiliza todos os seus poderes.
É dito que em sua mão direita está o poder de manifestar ideias ou ‘aba’, enquanto que em sua mão esquerda está o poder da habilidade de manifestar ideias e desejos, ou, Ase.
Ele é uma divindade a quem se ora para ter a habilidade de manifestar o que alguém deseja em seu aparato divinatório, o Eerindilogun, que rapidamente manifesta previsões e é chamado de Òòșà, em honra a ele como a maior das divindades.
Como pai de todos os irunmolè (as divindades em sua pluralidade), ele é um líder respeitado por sua idade e Ợbàtálá tem o poder da liderança imparcial e da paciência.

A origem do culto de Ợbàtálá, que é venerado hoje em dia em todas as partes do mundo, começa em terras yorùbá, cuja grande parte se encontra, no que é hoje a Nigéria e também na Republica do Benin e Togo. Ainda que Ợbàtálá seja uma divindade que existiu antes da criação da Terra em nossa tradição religiosa, Ợbàtálá teve várias encarnações terrenas, exemplos se veem nas maneiras como Ợbàtálá é venerado em diferentes povos onde houve encarnação como Ìrànjé Ile, Ìrànjé Oko, Ifọn, Éjìgbò, Ikire, Owu e etc.
Em alguns casos o aspecto de Ợbàtálá sendo venerado em cada povo, está intimamente ligado ao rei e seus súditos. Um exemplo seria Òrìşà Ogìyán ou Òòşà Ogìyán, Ogìyán é um título do rei de Éjìgbò onde essa manifestação de Ợbàtálá se originou. Para òrìşà Ogìyán se oferece carneiro, enquanto que não é costume oferecer esse animal como sacrifício a outros ‘aspectos’ de Ợbàtálá.
Òòşà Olùfọn, o ‘aspecto’ de Ợbàtálá que nasceu na cidade de Ifọn, como quase todos, enquanto òrìşà Oluofin não pode ter nada oferecido que seja derivado da farinha de mandioca.

Ợbàtálá de verdade é um líder de seu próprio panteão dentro da Tradição Religiosa Yorùb. Ele é o representante maior do grupo de divindades chamadas Òrìşà funfun, divindades que usam tecido branco e outros ícones brancos em seus ojugbò ou ìgbà. Tais divindades tem várias relações com Ợbàtálá, alguns são considerados seus filhos. Alguns desses òrìşà funfun incluem òrìşà Oke, divindade das elevações naturais e rochosas onde se encontram rochas enormes como ´”A Rocha Olúmo”, em Abeokuta, ou “Oke Agidan” em Ọyọ ou o “Oke Ibadan”, da cidade de Ibadan. Também nesse grupo do panteão podemos mencionar Òrìșà Oko, Odùdúwà, Ọșóòsì, Iyemoo, Iyewà e também estão associadas Yemọjá, Òsún e outras divindades.

Um mito comum é de que o sacerdote de Ợbàtálá deve viver na pobreza. Isso é devido ao fato de que alguns de seus oriki o mencionam como alguém que ainda prefere mostrar um ‘aspecto’ simples. O fator simplicidade é importante por que mostra ordem, clareza e humildade. Porém, ninguém na cultura yorùbá quer viver na pobreza e até no corpus literário de Ifá e Eerindilogun mostram muitos exemplos de caráter personificado buscando desenvolvimento econômico por séculos atrás.
Ợbàtálá nos ensina simplicidade e limpeza. É também uma divindade da prosperidade, onde mostra que somente uma pessoa com abundância de recursos pode se manter vestida com o mais imaculado branco. Seu tecido branco, algo essencial em seus santuários, mostra pureza do corpo, do espírito e do caráter. Também representa a pureza do caráter que como o tecido branco, é difícil de manter limpo, porém, alguém sempre tem a chance de se purificar.
A bolsa amniótica representa esse tecido branco de Ợbàtálá, chamado de “ala” e um filho que nasce com o ‘ala’ inteiro tem uma relação com Ợbàtálá desde o Ợrùn. Filhos que nascem dentro da bolsa de uma forma ou de outra, pode ser chamado de “Salako”, “Talabi”, “Òòşàtalabi”, ou “Oke” (não se deve confundir com o nome da divindade Òrìşà Oke) e etc.

Diz-se que uma pessoa de idade avançada tem a paciência por que aprendeu a fazer tudo com calma. Babarugbo é o nome que comumente usamos para Ợbàtálá e seus diferentes aspectos.
Ainda que ele tenha a paciência de uma pessoa idosa, quando de verdade ele se irrita demora muito tempo para perdoar.
Em uma parte de seu ‘pípè’ ou poesia usada para chamá-lo se diz:

Oju ekun ina ina ni, Olùwà mi eyin ekun oòrun, eekanna ekun bi o sai pomo nigba Ori karabasa, agba Òòşà ti ba kini ja ti ba kini ja.

Os olhos do leopardo são fogo, meu senhor a costa do leopardo é como o sol forte, as garras do leopardo podem trazer danos horríveis para a cabeça de uma criança, a divindade maior que luta com todos e em todos os lugares.

O sacerdócio de Ợbàtálá tem sua própria hierarquia composta por homens e mulheres que são sacerdotes de Ợbàtálá com título e classificação dentro de seu grupo, em cada cidade.
Em Ile Ife os sacerdotes com classificação mais alta é o atual Obalale. Antes dele, o Obalesun tinha o cargo de líder mais alto dentro do templo de Ợbàtálá em Ife.
Em outras áreas, especialmente Ọyọ, o sacerdote maior de Ợbàtálá é o Aaje e é quase sempre selecionado dentro de uma linhagem especifica e consanguínea. O Aaje Òòşà é parecido com o Mogba Şàngó, no sentido de que ele é o líder mais alto no sacerdócio de Şàngó, porém, não é um adosu (pessoa que tenha tido sua cabeça raspada durante sua consagração) de Ợbàtálá. Porém existe sua cerimônia de instalação e entronização para exercer sua posição dentro do culto de Óòşààlá. Além de Aaje, também existem outros títulos como Ááwa, Ikolaba, Alata, Gbogbo, Ajibodu, Iyaloosa e etc. Em alguns casos também existe um Aare ou Baale de Ợbàtálá conforme a região.

Durante as cerimônias os devotos e sacerdotes de Ợbàtálá podem cair em transe com a divindade e este dirá mensagens para os demais devotos.
O poder divinatório de Ợbàtálá é feito com alguns objetos, como vários tipos de lentes que se chamam ‘awo’ para poder ver o passado, presente e futuro.
Ợbàtálá revela mensagens através de seus Elegun para ajudar a evitar a morte, acidentes, doenças e etc., e dirá o necessário para manifestar o positivo.
Na cidade de Ifọn, durante as festividades, cerimônias e certas ocasiões é dado uma bebida aos seus devotos chamados ‘egun’ que contém um pouco de sangue dos animais que foram oferecidos a Òòşà Olufon, o aspecto de Obatalá dessa cidade. Ao beber a bebida ‘egun’ eles são levados pelo espírito de Ợbàtálá e muitos caem em transe. Também seus sacerdotes podem se concentrar em seu aparato divinatório chamado Eerindilogun ou “Òòşà” para consultar e ajudar as pessoas que buscam ajuda e orientação em suas vidas.
A palavra Òòşà é um derivada de Òòsáálá, outro nome de Ợbàtálá que vem do final dos dezesseis cauwries consagrados para adivinhação. Se dá o nome de Òòşà a esses, mesmo que seja no culto de qualquer outra divindade e ainda que se diga que o primeiro a ter esse aparato divinatório foi Òsún e Yemọjá, dependendo da região, ele é o verdadeiro possuidor por ser o líder das divindades pela sua idade e por ser o pai deles.

As comidas de Ợbàtálá são mais variadas do que muitos imaginam. Porém, entre os mais típicos que lhe oferecem estão:
O egbo (feito com milho branco), iyan (purê de inhame), obe ate (um guisado que é feito com semente moída de bara, um melão especifico da África), ekuru funfun (uma pamonha envolta e cozida no vapor, feito de feijão fradinho sem casca, sem sal, sem pimenta ou algo picante e sem epo/dendê), eko (mingau feito com milho branco moído – amido de milho), eyin ororo (ovos brancos de galinha preta), oyin (mel de abelha).

Entre seus animais preferidos, que ele recebe como sacrifício incluímos: Igbin (caracol), Eyele (pombo), Eye etu (d’angola), abo adie (galinha), ewúré (cabra) e durante grandes festivais e instalações de sacerdotes de alto escalão no culto de Ợbàtálá se oferece Maaluu (vaca/boi). Todos esses animais são preparados e cozidos para que sua carne seja consumida entre os sacerdotes e seus devotos.

Cada animal tem seu significado ao ser usado como objeto de sacrifício à Ợbàtálá.
O igbin é o antídoto quando se oferece sangue vermelho a Ợbàtálá.
Assim como o lento caracol, Ợbàtálá nos ensina a ser focado em nosso caminho, porém, com passos medidos e sem correria. Também o caracol é oferecido para se ter vida longa.

Enlako é um dos nomes do caracol em yorùbá profundo e esotérico.

O pombo (Eyele) que se oferece a Ợbàtálá representa prosperidade e boa relação por ser uma ave de boa fortuna que sempre tem onde viver, comer, tem um cônjuge por toda a vida e filhos o tempo todo.

A D’Angola (Eye Etu), é um animal intimamente ligado associado a Ợbàtálá. As penas brancas da D’Angola são como as marcas de efún, giz africano, posto pelas mãos de Ợbàtálá.

A cantiga associada é:

Gbogbo ara l’Òrìşà fi f’etu, gbogbo ara.

Todo o corpo da D’Angola foi marcado pela mão do òrìşà (Ợbàtálá).

É um exemplo de como Ợbàtálá pode manifestar bênçãos completas e deixar sua marca positiva na vida dos seres humanos e ainda dar-lhes sua proteção.

Um Òòşà pípè, um poema de Ợbàtálá diz:

Etu o ji tóun taaso, Ọbanlá o ji ire”,

A D’Angola se levantou com seu aaso (osu, chamado de ase do òrìşà em sua cabeça).

Isso mostra que a cabeça pontiaguda da D’Angola é como o ase que se põem na cabeça do novo iniciado ou Iyawo òrìşà. É outra marca de respeito na D’Angola.

Alguns mitos comuns mencionam várias coisas a respeito de Ợbàtálá que quando investigamos em terras yorùbá vemos que não é totalmente correto.

Aqui veremos alguns exemplos:

Ợbàtálá não bebe álcool.

O certo é que dependendo da região nas terras yorùbá, a Ợbàtálá é oferecido oti sekete (tipo de cerveja feita com milho), Otika (tipo de cerveja feita com sorgo) e até oti òyìnbò (bebidas muito fortes como gin ou Siemans schnaps que são bebidas alcoólicas introduzidas pelos europeus e sepe, uma bebida alcoólica forte feita em terras yorùbá).
Aqui no Brasil de forma alguma se oferece bebidas alcoólicas a Ợbàtálá.

Ooşańla é um aspecto de Ợbàtálá ‘fêmea”.

Nas tradições religiosas existem lugares mais desenvolvidos que outros, Ooşańla é a forma transformada de Ooşańla que é simplesmente outro nome para Ợbàtálá na Tradição de Òrìşà na África Ocidental.

Somente animais brancos são oferecidos a Ợbàtálá.

Claro que a cor branca do tecido e outros objetos são de sua preferência. Porém, em muitas áreas das terras yorùbá, podem ser oferecidos animais de outras cores e somente oferecem animais brancos em ocasiões e momentos específicos. A mesma galinha D’Angola não é totalmente branca, ela é cinza com pintas brancas.

Aqui no Brasil de forma alguma se oferece animais que não sejam branco a Ợbàtálá.

Ợbàtálá nos ensina a virtude de ser monogâmico.

Ainda que Yemoo seja sua esposa principal, Ợbàtálá teve várias relações e esposas, incluindo Yemọjá, Òsún e etc.

Em um verso do Odù Ifá Òsé L’Ogbè, Ifá diz:

B’óbìnrin ba n gba’ja mejè meji eyin ko mo pe eruru aye lo de,

Adifa fun Óòşààlá Òsèèrèmagbò,

Eyi ti se oko Awoko nijo ti n lo re fe Jojolo niyawo.

Nesse verso Ợbàtálá estava casado com Awoko, porém decidiu pegar Jojolo como esposa também, para que esta pudesse ajudar em casa com as tarefas domesticas.

Awoko era sua esposa preferida, porém, quando soube do ciúme, ela tomou a habilidade de Ợbàtálá ter ereção.

Obatalá não pode ter relações sexuais com Jojolo e teve que fazer ebo para poder convencer Awoko a retornar e devolver-lhe o poder que ele mesmo havia dado a sua esposa favorita.

A cultura yorùbá aceita a poligamia, porém, não adota uma posição formal de qual estilo de vida conjugal é a melhor. Ambos os estilos de vida, monogâmica e poligâmica tem seus prós e contra como nos ensina Ifá.

Foi Ợbàtálá quem escolheu os dias de veneração de cada òrìşà e criou a semana tradicional yorùbá de quatro dias, enquanto Ọrúnmìlà deu os nomes a esses dias da semana yorùbá.
Esses dias são:

Ose Awo, Ose Òòşà, Ose Ògún, Ose Jakuta.

O primeiro e o último dia da semana é totalmente sujeito a cada sacerdote e é o dia de fazer serviço para sua divindade.

O que é certo é que Ợbàtálá separou um dia para Ifá, um dia para Ògún e também um dia para ele mesmo. Logo Şàngó ficou ofendido por não ter sido incluído, ele fez muito barulho para ganhar sua posição entre os dias de serviço religioso chamado: “Ose”.

Nos dias de serviço para Ợbàtálá cada devoto mostra seu agradecimento e oferece suas orações em frente ao igba/Ojugbò de Ợbàtálá.
Em nossos dias a menor oferta possível para Ợbàtálá seria um Obi e omi tutu (água fresca). O indivíduo recita oriki ou nomes de louvor de Ợbàtálá para chama-lo e render um breve ìbà ou Ijùbá (ação de render homenagem) e agradece a Òlódùmarè (Deus supremo), seus antepassados e aos sacerdotes falecidos para que sua oração seja apoiada por todas as forças espirituais. O indivíduo em seguida lançará o Obi para saber se suas orações foram aceitas.
Uma porção dos segmentos do Obi se põem em cima do igba de Ợbàtálá e borrifa-se omi tutu em cima do igba como um ato de libação pedindo abundância e vitórias sobre inimigos e adversidades. O devoto ou sacerdote também divide o Obi e a água comendo e bebendo como um ato de comunhão com a divindade. Nos dias de Ose também se pode fazer orações com Obi para outros membros da família ou amigos. Em seguida, também compartilha-se o obi e a água.

Em outras ocasiões se pode oferecer algumas de suas comidas preferidas como Iyanle (a primeira porção de alguma comida para as divindades). Em seguida se oferece a porção a divindade, é essa comida que os devotos comem depois de servidos.
Nos dias de serviço mais importantes como seu Itadogun (cada décimo sétimo dia) pode-se tocar os tambores favoritos de Ợbàtálá chamados de Igbin ou também Sekere em sua honra, onde os devotos dançam e cantam para Ợbàtálá. O tambor igbin representa uma das esposas imortal de Ợbàtálá e que também recebe sacrifícios como um dos objetos sagrados e dedicados a Ợbàtálá.
É nesses dias de serviço e festas em honra a Ợbàtálá que especialmente as mulheres que se especializaram em recitar seus nomes de louvor em versos de Ợbàtálá.

Esses poemas se chamam Òòşà pípè e é imprescindível nas consagrações de novos iniciados em Ợbàtálá ou na consagração de seus objetos sagrados. Essa literatura é um corpus completo que mostra todas as características, origens, gostos, proibições e outras informações importantes e profundas sobre esse òrìşà.

Alguns avatares de Ợbàtálá em terras Yorùbá:

– Òòşà Olufon

– Òòşà Oluofin

– Òòşà Popo

– Òòşà Ogìyán

– Òòşà Rowu

– Òòşà Alajo

– Òòşà Ikire

– Òòşà Ìrèlè

– Òòşà Ajagémó

– Òòşà Ajaguna

– Òòşà Ojuna

– Òòşà Obanimoro

– Òòşà Obaso

Povos importantes na veneração de Ợbàtálá:

– Ile Ife

– Iranje (está dentro de Ile Ife)

– Ifọn

– Ede

– Iwofin

– Ọyọ

– Éjìgbò

– Ogbomoso

– Iseyin

– Ikire

– Ikirun

– Owu

– Osogbo

Fontes:

Oloye Babalòòşà Iwintola Faronbi Ojoawo da linhagem Ajanbata em Ọyọ

Oloye Iyalòòşà Adunola Ayoka Dalemofòòşà da linhagem Onto em Ọyọ

Oloye Adedoyin Talabi Olayiwola, a Yèyé Apenimo da linhagem de Iya Dudu, Osogbo

Oloye Fakayode Faniyi, o Agbongbon Awo de Osogbo da linhagem Agbongbon Oderinlo, Osogbo

Oloye Kehinde Osundara Oyawale, a Iya Ợya de Osogbo

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