REVISTA CARAS EM 2011

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quinta-feira, 23 de junho de 2016

O Culto a Egungun- Parte 2


O Rito
Nas festas de Egungun, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Egunguns entram no salão através de uma uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo. Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários Amuixan (iniciados que portam o Ixan) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos Ojês saim do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.

Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão chamada de Ilê Awo (casa do segredo), na Bahia, e Igbo Igbalé (bosque na floresta) na Nigéria. O Ilê Awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os Ojés podem entrar, e o Lêsànyin ou Balé, onde só os Ojês Agbá entram.

Oiê balé é o local onde estão os idi-egungun, os assentamentos – estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egun ali cultuado, e, o Ojubó-Babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários Ixans, os quais, de pé, delimitam o local.
Nos Ojubós são colocados oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egun a ser cultuado ou invocado. No Ilê Awo também está o assentamento da divindade Oyá de culto Igbalé, Oyá Igbalé como é popularmente conhecida, a única divindade feminina venerada e cultuada simultâneamente pelos adeptos e pelos próprios Eguns.

No balé os Ojés atokutun vão invocar o Egun escolhido diretamente no seu assentamento, e é neste local que o awo (segredo)- o poder e o axé e Egun nasce através do conjunto Ojé-ixan/Idi-ojubó.A Roupa é preenchida e Egun se torna visível aos olhos humanos. Após saírem do Ilê Awo, os Eguns são conduzidos pelos amuixan até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos Ojés, pelo som dos amuixan, branindo os ixans pelo chão e aos gritos de saudação dos alabês (tocadores e cantadores de Egun). O clima é realmente perfeito.

Texto de Aulo Barretti Filho, O Culto dos Eguns no Candomblé.

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