REVISTA CARAS EM 2011

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Èsù Olùberè Àwon Òrìsà

ÈSÙ O MAIS CONTROVERTÍVEL DOS ORIXÁS


Contam os nagôs igbómìnàs que, em tempos passados, sempre ao entardecer, Èsù, entoando um cântico, dirigia-se a um próspero mercado do vilarejo do reino dos igbómìnàs. Lá ao chegar, sentava-se em uma cadeira ou às vezes ficava de pé, alegrando, cantando, entretendo, distraindo, induzindo a clientela a fazer apostas em jogos e contando histórias em troca de uma refeição e um trago de aguardente, conforme combinado com o dono do mercado (Olójà).



Le ró o, le ró o otí l’ayò

Le ró o, le ró o oti l’ayó

“O indolente (Èsù) com a sua astúcia bebe alegremente sua aguardente” (tradução livre)

Com o passar dos meses, o comerciante, julgando já estar com uma clientela fixa, expulsou Èsù do seu estabelecimento comercial. Magoado com a desfeita, uma vez que as pessoas se acercavam do mercado unicamente por sua causa, Èsù atravessou a rua indo sentar-se numa cadeira que estava em frente ao outro empório, que por sinal estava a falir.

Durante o período em que ali ficou sentado, Èsù observou que nenhum cliente dali se aproximava, ao oposto do outro mercado de onde tinha sido expulso, que era um entrar e sair constantes. Decidido a vingar-se da ofensa feita a sua pessoa, Èsù dirigiu-se ao mercador falido (Onisòwo onígbèsè) e lhe propôs reerguer seu estabelecimento. O mercador falido retrucou dizendo-lhe: ‘Como poderei pagar-lhe tal beneficio?’ Èsù respondeu-lhe: ‘Permitindo que eu venha beber e comer graciosamente todas as noites em seu estabelecimento’. ‘Está combinado. Dou-lhe minha palavra’, disse o mercador.

Èsù, após o trato, continuou sentado na cadeira do mercado falido até o início do alvorecer do dia seguinte. Tão logo o dia começou a raiar, o ardiloso Èsù, portando uma cabaça serrada ao meio (igbá) com mel de abelha em seu interior, dirigiu-se ao mercado de onde havia sido expulso, entoando o seguinte cântico:

‘Olooyin, Olooyin o![1]

Olooyin , Olooyion o!

Èsù mõmo ayinrarè

Olooyin, Olooyin o!’

‘Dono do mel de abelha,

Dono do mel de abelha, eu o saúdo!

Èsù, sábio, vaidoso.

Dono do mel de abelha, eu te saúdo!’. Tradução livre.

Ao chegar no mercado próspero, Èsù entoando um cântico , derramou em frente ao mesmo um pouco do mel de abelha. Em seguida, retornou lentamente ao mercado de onde tinha vindo, espalhando pelo chão em sua direção o restante do mel de abelha. Quando Èsù chegou ao término do seu pretexto, o dia já havia clareado totalmente. Incontinente, sentou-se em uma cadeira à entrada do mercado falido e ficou observando os primeiros fregueses chegarem ao estabelecimento comercial, que ele havia tornado próspero e de lá tinha sido expulso.

Rapidamente, formou-se uma aglomeração na porta do estabelecimento, pois um dos fregueses percebeu o líquido espesso derramado na porta do mesmo. Imediatamente, um a um dos clientes resolveu seguir o indício deixado pelo líquido. Tal como Èsù planejou, o mel derramado levou todos os fregueses para o mercado de onde ele sentado os aguardava.

Ao chegarem ao local, depararam com Èsù e nunca mais deixaram de frequentar aquele estabelecimento, que se tornou próspero em curto espaço de tempo. E assim, todas as noites, após beber e comer graciosamente, Èsù cantava alegre e satisfeito para todos os que pernoitavam e gastavam dinheiro naquele empório. E quando se despedia ao alvorecer, todos os presentes o saudavam cantando alegremente:

Ogõgóro ngo Laróyè (Èsù o!)

Ogõgóro ngo Laróyè’.

‘Saudemos Èsù, o intérprete de todos os idiomas!

Ele gosta (ou ele quer) de aguardente feita do dendezeiro’ Tradução livre.

Ressalva: A narrativa em questão esclarece a semelhança do ser humano com o Òrìsà Èsù que, com todas as suas atribulações, contradições e procedimentos, procura jogar as cartas que possui, sempre usando de estratagemas, na esperança de ganhar todas as partidas. Ratifica também que, quando tratamos bem o nosso semelhante, queremos ser bem tratados. Todavia, em algumas vezes, os fatos não são uniformes. A associação em questão faz crer na constante renovação da vida, que se transforma sem cessar, fazendo com que a mesma muitas das vezes deixe de ser uniforme [2].

Notas:

1 – “Olooyin, Olooyin o! Olooyin, Olooyin o!”“ Ojúmomo oyin báre Olooyin, Olooyin o!”(“Dono do mel de abelha, Dono do mel de abelha, eu te saúdo! O dia vem raiando, o mel de abelha trará bons relacionamentos. Dono do mel de abelha, eu te saúdo!”).

2 – Em hipótese alguma, esta narrativa demonstra ou ratifica que os filhos do Òrìsà Èsù devam viver pelos bares em troca de bebida ou comida.

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