REVISTA CARAS EM 2011

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Chateado com a postura de algumas pessoas do axé


Quando eu comecei a iniciar pessoas e a tocar candomblé, uma mulher de Yemanjá muito sábia, me disse: 

- Meu filho, esteja preparado para o que vai vim, você crescerá e isso irá incomodar os acomodados, siga em frente. 

Hoje, olhando para trás, essas palavras fazem o maior sentido. É tanta coisa que eu escuto ao meu respeito, na maioria são boas, mas alguns absurdos me deixam de boca aberta. Em primeiro lugar minha vida está exposta, com datas e detalhes, não escondo minha origem, nem quem deu seguimento as minhas obrigações. Não preciso maquiar meu passado, pois ainda estou escrevendo minha história. 

Em segundo lugar, nessa vida tive apenas dois irmãos de esteira, uma foi a Janaina de Oxum, no ano de 2005, quando tomei meus três anos e em 2009, quando entrei para o Asé Obá Orú e tomei meu odú ijè e o nome dele é Egbomi Duda de Logunedé. Nesses anos, o que surgiu de supostos irmãos de esteira, não foi brincadeira. Tanta gente estava na minha obrigação, o engraçado que eu não me lembro de nenhum deles. 

Seguindo, a outra história é que eu paguei milhões para ser aceito na sociedade de Ketu, pelo amor de Deus, de onde tiraram isso, quando fui para o Ketu em 2007, quem deu minha idade de santo e reconheceu o fato de eu ser abiaxé, foi o jogo de búzios do meu zelador e Xangô sabe que quando chegou a hora de tomar obrigação, eu não dei milhões, aliás dei muito pouco em vista do grandioso axé que recebi. 

Quando ouvimos que alguém que não nos conhece fala mal de nós é até compreensivo, afinal com tanta coisa acontecendo no mundo do candomblé, a figura do babalorixá está cada vez mais desgastada e desacreditada, agora gente que viveu do meu lado, que se diz irmão, ficar falando besteira por aí, já é demais. Porque se eu abrir a minha boca, não vou precisar mentir nem inventar para jogar no ridículo essas mesmas pessoas, por isso quem tem vergonha que não faça vergonha. A vida dos meus filhos é o reflexo do meu axé, não vou a porta de ninguém fazer “sabejé” e não preciso “roubar” cabeças, pois todos aqueles que pertencem ao Egbé L’ajò, estão aqui por vontade própria e não porque foram ameaçados ou então sugestionados pelo velho hábito do “se não fazer santo, morre”. 

Desculpe o desabafo, mas as vezes cansa, pois eu atendo em média 5 pessoas por dia, meus finais de semana são todos da religião, as vezes quando eu vou almoçar, já são mais de 16h00 e ainda ter que ouvir fofoquinha ao meu respeito. Eu faço uma promessa, vou pedir a Exú que mande clientes e filhos a esses “Pais de santo”, assim quem sabe eles não tomam conta da própria vida. 

Obrigado, 

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