REVISTA CARAS EM 2011

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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Ọrúnmìlà / Ifá





Eu acredito em Ifá, não por que, eu nasci em Ifá; Mas, por que Ifá nasceu em mim.


A filosofia de Ifá é uma das mais antigas formas de conhecimento revelada a humanidade. Infelizmente as revelações de Ọrúnmìlá, têm desde o início dos tempos, sido escondidas no mais completo sigilo daqueles que poderiam dispor de tempo para adquiri-los e não tinham recursos de ir atrás deles.
O aprendizado de Ifá obriga o seu iniciado a fazer viagens, trocar informações, adquiri-las através de sacrifício de tempo ou dinheiro.
Tudo o que sabemos hoje de Ifá, tem sido passado de geração em geração a milênios. Muito do que o povo conhece sobre Ifá é também revelado, até mesmo hoje em dia, pelo próprio Ọrúnmìlá, porque ele regularmente surge para seus seguidores (iniciados ou não) em sonhos, para ensiná-los o que é necessário saber sobre sua obra (No culto de Ifá temos um òrìşà que nos ensina através dos sonhos em outra dimensão). O conhecimento de Ifá tem sobrevivido essencialmente pela tradição oral que passa de um sacerdote de Ifá para outro. Nenhum esforço consciente tem sido feito para publicar a obra completa de Ọrúnmìlá para o público consumidor.
Até os sacerdotes de Ifá, entre eles, são frequentemente relutantes em compartilhar conhecimento por temor que se o mesmo (conhecimento) se tornar de domínio público, a fachada mística oculta na qual eles operam, será destruída. Isto não é totalmente sua culpa, afinal, eles levaram pelo menos 21 anos de aprendizado para se tornarem sacerdotes eficientes.
(Aqui vemos o autor sendo politicamente correto em sua análise, pois, de verdade o que impera é o medo de saber que outros também sabem, que outros também podem curar, orientar, ajudar, prolongar a felicidade e a prosperidade de alguém. Podemos usar o exemplo de uma faculdade Direito, onde todos têm o mesmo acesso à informação e apenas um ou dois se notabilizam por seu esforço e compreensão da matéria).

Esse trabalho que foi diretamente inspirado pelo próprio Ọrúnmìlá, não seria fácil para ninguém dispor de tempo, esforço e dinheiro, para se iniciar em numa aventura interminável. Isso é o que a sociedade de Ifá chama de conhecimento interminável, imutável e imortal.
(Ou seja, muitos sacerdotes de Ifá fracassam, pois, sua vontade de adentrar nos mistérios do culto é apenas uma ponta do seu iceberg de vaidades)
Ver-se-á de suas revelações, que Ọrúnmìlá, embora o mais novo de todas as divindades criadas por Deus (Òlódùmarè), foi verdadeiramente a própria testemunha de Deus quando começou a criar as substâncias orgânicas e inorgânicas (O Cosmos). Este é o porquê dele ser consultado como o Ẹlẹri Ipin (Testemunha do Destino). Somente ele conhece a verdadeira natureza e origem de tudo que é animado ou inanimado e criados por Deus.
Este conhecimento tem lhe dado, desta maneira, incomparáveis poderes que fazem-no o mais eficiente de todas as divindades, que foram as primeiras criaturas de Deus.
(A inabilidade de Ọrúnmìlà em várias frentes de trabalhos lhe rendeu insultos e impropérios por parte das divindades, aqui falamos metaforicamente, acarretando na descoberta de seu maior ire, sorte/coisas boas, a SABEDORIA, que lhe rendeu o conhecimento e a sensibilidade, que hoje formam o tripé da base de qualquer pessoa que deseja ser, ou é escolhido pela divindade, para ser um sacerdote. Sabedoria, conhecimento e sensibilidade).

Os seguidores que são capazes de alcançar este tripé, consequentemente, controlam enorme poder, esse poder muitas vezes tem sido confundido e chamando de magia ou fetiche.

Por outro lado à expressão “Ifá” (A voz de Deus) engloba as revelações, estilos de vida e a religião ensinada por Ọrúnmìlá. Este é o porquê de ser frequentemente dito que Ọrúnmìlá é a divindade mas Ifá é a palavra.
O sacerdote de Ifá é um pedaço da boca de Ọrúnmìlá e até comparativamente ele era o eixo em torno do qual a vida diária da comunidade girava. Nos tempos imemoriais era de bom tom ir abertamente até ele para buscar solução para os problemas da vida. Atualmente tem se tornado moda consultar um sacerdote de Ifá em segredo absoluto e furtivamente.
(Aqui vemos um poema/verso de Ìròsùn ‘Òtúrá que diz:

Quando as pessoas dos limites da Terra disseram que não iriam praticar nenhuma religião (a religião yorùbá),
Ọrúnmìlà disse que as pessoas dos limites da Terra não podem rechaçar sua religião.
Eles (as pessoas) perguntaram por quê?
Ele disse:
Por que um bando de Agbè cultua Olú igbò (O chefe da floresta).
Um bando de Àlùkò cultua Olú òdàn (O chefe das savanas)
Quando Òdìdè viaja para longe ele sempre volta para casa.
Ele [Ọrúnmìlà] disse:
Alupayida atrairá os homens para mim (a religião Yorùbá)
Ele [Ọrúnmìlà] disse:
Alupayida atrairá as mulheres para mim [a religião Yorùbá]
Ele disse:
O pássaro osin é conhecido por um nome apenas.
O rico virá a render-se ao culto,
O afortunado virá render-se ao culto.
E o famoso também virá se render ao culto,
Também o jovem e o velho virão se render ao culto.
Os homens e as mulheres virão se render ao culto.

Este verso diz que jamais poderemos esconder, renegar, camuflar ou disfarçar que somos adeptos/simpatizantes/iniciados nos mistérios da religião ou que buscamos o socorro dentro da sabedoria celeste de Ọrúnmìlà).

Três fatores têm sido os responsáveis por esta espetacular mudança de atitude.

O primeiro é a chegada à civilização moderna e a educação trazida.

O segundo é a despótica influência das religiões modernas as quais foram usadas pela espécie humana como armas para conquistas, não apenas das mentes mortais, mas, também para manifestar ambições de território.

O terceiro é o impacto decorrente das duas primeiras forças. Os filhos dos sacerdotes de Ifá, não mais desejam ser associados a religião e ao modo de vida de seus pais, aos quais eles rejeitam como superstições pagãs.

Muitos sacerdotes de Ifá dotados de brilhante conhecimento teórico e prático do oráculo, têm morrido não restando nada gravado de suas riquezas de conhecimento e experiência. O volume de livros os quais eu estou prestes a lançar (já lançados em Inglês) são uma tentativa para deixar um relato histórico da grande obra de Ọrúnmìlá.
(Um dos maiores relatos que ouço desde 1986: Eles morreram e levaram todo o conhecimento, não legaram nada a seus sucessores. Isso pode ser uma verdade, porém, verdadeiramente quem deu segurança a esse sacerdote de que os ensinamentos seriam bem cuidados e bem passados as gerações futuras?
Ọrúnmìlà diz que prefere uma pessoa sem conhecimentos a uma pessoa sem caráter no sacerdócio. Talvez esse tenha sido um dos motivos que levaram a quebra dessa corrente).

Eles se destinam a provocar debates para o enriquecimento do conhecimento de modo que as gerações vindouras conhecerão sobre Ọrúnmìlá e serem orgulhosos por estar associados a ela. Este trabalho se designa também a assistir os estudantes da filosofia de Ifá na obtenção mais profunda do conhecimento, o Ifismo, quanto gerar interesse no aluno. Também irá prover assistência para aqueles que foram iniciados na religião, mas que continuam a duvidar da veracidade de toda concepção de Ọrúnmìlá ou foram abandonados por seus sacerdotes, após, o pagamento de volumosa quantia financeira.

Frequentemente quando uma pessoa vai a um sacerdote, ele conta para o suplicante os encantamentos específicos do Odù que se apresentou para ele. Depois disso, ele prescreve os sacrifícios a serem feitos sem preocupar-se em narrar ao suplicante a história fundamental do sacrifício que ele (Odù) está pedindo para se feito. Eles o fazem por que acreditam que a mente do não iniciado ou com menos conhecimento (o suplicante/iyawo) não irá entendê-los.
Eles começam a questionar se o sacrifício é ou não relevante.

Se ele faz ou não o sacrifício, torna a reputação do sacerdote de Ifá incerta e não as suas convicções da necessidade disto.
(Aqui encontramos a chave de muitas questões sem respostas. Vamos supor que o Ori do consulente não aceita/rejeita o ebo, porém, fica com vergonha de se expressar, o capítulo final estas nas portas cerradas do Ợrùn, o ebo não chega a Òlódùmarè e se chegar ele vai perguntar a Èşù se o Ori está aceitando o que foi ofertado, em caso negativo a bênção não é dada.
Poucos sabem que a sanção da bênção é dada por Òlódùmarè, todos os ebo passam pelo seu crivo, quer as pessoas acreditem ou não. O ase (força vital) está sob a custódia de Èşù, mas, pertence a Òlódùmarè e Èşù somente libera se for autorizado. Então, o sacerdote quando é versado ele saberá de ante mão se o Ori do suplicante aceitou ou rejeitou o ebo. Como temos visto a parte financeira andar na frente do bem estar do ser humano, este enorme ‘por menor’ é relegado a terceiro/quinto plano, aqui está a resposta para muitos ebo não darem certo ou não terem resposta).

Mais importante é a tentativa de fazer a religião se classificar como muitas religiões novas, como o judaísmo, cristianismo, budismo e islamismo. Estas outras religiões tinham a vantagem da documentação histórica. Tanto ao mais, nós veremos que Ifá é muito mais rico e o mais antigo corpus literário de conhecimentos.

È importante notar que todavia este trabalho não coloca reivindicações, quaisquer que sejam, por conta da religião de Ifá. É dito que ninguém pode conhecer completamente a Obra de Ọrúnmìlá. Este trabalho é portanto o início e a pesquisa será continua durante toda a vida do autor. Espera-se que ela seja atualizada de tempos em tempos tendo em vista a ausência de pesquisas e revelações adicionais.

Por outro lado, o escritor espera, que com esses volumes de dezessete livros ao todo, desmistificar a filosofia da Religião de Ifá. Contrário à todas as aparências externas, não há nada mágico sobre Ifá. A arte é análoga ao trabalho de astrologia. Um astrólogo conta o futuro de um homem lendo o comportamento das estrelas que estavam no céu na época em que a pessoa nasceu. Do mesmo jeito quando uma criança nasce, os instrumentos principais de divinação de Ifá são usados para ‘desvendar’ (Esentayé) sua cabeça e escutá-la. Os instrumentos irão declarar o nome do Odù que será sua estrela guia.
(Explicamos que a criança quando nasce passa pelo rito do nascimento, o rito da descoberta de seu Odù, no terceiro dia de nascido, não o Odù principal, mas, o Odù que lhe servirá de orientação e parâmetro, apontando caminhos, profissão, esposa (s) e etc., até o ritual de descoberta de seu verdadeiro Odù, não há idade para se iniciar em Ifá. A importância deste ritual é balizar o cumprimento do seu destino, obrigação de todo ser humano).

O sacerdote de Ifá irá então revelar a história da vida do Odù que surgiu para ele e pode proclamar com cem por cento de certeza que a vida da criança irá tomar alguns caminhos que aparecem no Odù. É como o ritual que acontece quando o Odù individual surge no jogo para uma pessoa na iniciação da religião de Ifá (dentro do Igbòdù), a sociedade secreta dos Babalawo.

Por exemplo, se a cerimônia do nome ou durante a iniciação em Ifá, Èjì Ogbè é o Odù revelado, a pessoa pode convenientemente ser informada de que sua história de vida seguirá a caminha da vida de Èjì Ogbè.
Se por exemplo o iniciado é negro e de estatura média, ele deve ser informado que se ele for capaz de seguir os conselhos e èèwò (tabu/quizila) de Èjì Ogbè ele certamente prosperará na vida e disporá tempo de sua vida em serviços humanitários.
Se por outro lado à pessoa é clara ou baixa, ele pode ser informado que ele não será provavelmente muito próspero a menos que consulte seu Ifá e execute sacrifícios especiais para remover os obstáculos que Èjì Ogbè tinha em circunstâncias similares. Neste caso Èjì Ogbè retornou ao Ợrùn para se recuperar antes da fortuna lhe sorrir na Terra.
(Aqui vemos um caso clássico onde o indivíduo tem todos os obstáculos avistados em seu caminho, destino, o Corpus Literário de Ifá, está sugerindo, não o retorno ao Ợrùn, mas, o sacrifício que será feito para remover os obstáculos através do conhecimento do Babalawo e da aceitação do que for prescrito como oferta as divindades).

No mesmo jeito, se algum Odù em particular for revelado no jogo, o sacerdote vai perguntar, ao oráculo, se é para realizar algum sacrifício, que já foi executado pelo Odù em tais circunstâncias. Se o jogo revelar que a morte da pessoa é iminente, o sacerdote orientará a pessoa a fazer um sacrifício, desde que Ọrúnmìlá tenha orientado sua execução, uma vez que ele já havia recomendado outras pessoas fazerem a fim de evitar o perigo da morte prematura em circunstâncias similares.
(Neste caso clássico Ọrúnmìlà ganha o nome de louvor: Òkítíìrí, a pa ọjọ Iku dà.
Aquele que pode nos livrar da Morte).

É razoável imaginar pela análise anterior que longe de uma vida de mágico, o sacerdote de Ifá é simplesmente um hábil intérprete. Contanto, ele pode desenvolver uma memória retentiva, no caso então, ele tem somente que relatar (Aqui chamamos essa passagem de Cantar Ifá, ou seja, ler/recitar os versos da Escritura Sagrada/Corpus Literário de Ifá) os problemas de um suplicante, com uma situação análoga que ocorreu em outros tempos (pode ter sido a milhares de anos atrás), para revelar os problemas que estão acontecendo hoje e colocá-los de uma forma apropriada.
Estas considerações sobre a obra de Ọrúnmìlá é uma tentativa de auxiliar os não iniciados, bem como os neófitos, a serem capazes de entender as revelações de Ifá por eles mesmos, a fim de perceber que o sacerdote tenta fazer do discurso sua prática na arte de Ifá.

È importante observar que desde o início Ọrúnmìlá não procurou pela conversão dos fiéis. Essa é uma religião do indivíduo, a qual não confia na importância do poder aquisitivo para sua sobrevivência. Desde os tempos imemoriais, Ọrúnmìlá ensina que a melhor maneira de compreender é preservar os seus conhecimentos, que será completamente eficaz para seu trabalho e para a melodia de sua música.

Ọrúnmìlà está dizendo que nossa religião não é para copiar o que os outros fazem, ela tem que ser entendida e para tanto precisamos estudá-la, interpretá-la e praticá-la. Sem conhecimento, estaremos agindo de forma empírica, entendendo que nosso ouvido tem vida própria e que não precisamos de mais nada.
Acreditamos que isso possa ser um caminho (ouvido/intuição), mas, não é a estrada.

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