REVISTA CARAS EM 2011

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Olódùmarè


Olo: significa expansão e poder;

Dun: significa tempo e longevidade;

Má: significa criação dos quatro pontos cardeais do Universo,
representados pelos quatro primeiros Odù:

Èjìogbe Méjì – representando o fogo, o Sol.

Òyèkú Méjì – representando a água, a Morte.

Ìwòrì Méjì – representando o ar, a Transformação.

Òdí Méjì – representando a terra, o Renascimento.

Re: significa a estabilidade da força de realização, que nasce, cresce, reproduz e morre.

No sentido mais profundo que encontramos, ao analisarmos o nome de Olódùmarè, encontramos o significado de “Eu sou aquele que é” ; o nome designando o próprio ser, o ser das coisas em sua manifestação plena e em sua relação com o Universo. A revelação do nome é extremamente significativa na propensão de Olódùmarè para a sua Criação.

Esse nome é único porquê contém todo o mistério, e representa toda a plenitude do nosso Universo e quando é pronunciado, nos leva a eterna busca da perfeição. É o nome da Santidade transcendente, que exprime a presença dinâmica de Deus, todo Poderoso em Sua Criação e a fidelidade de sua assistência aos homens.

Para entender nossa relação com o Todo-poderoso, nós temos que nos lembrar de três pontos importantes:



– Todas as coisas neste universo foram criadas por Olódùmarè.

– Olódùmarè é a Fonte do “Ser”, sem a qual nós não poderíamos existir, ter vida, ser racionais ou “inteligentes”.



– Olódùmarè é conhecido como o Determinador e Controlador do Destino. Nós estamos sob controle e governados, do princípio ao fim.

Com exceção do dia que nascemos e o dia que é suposto que iremos morrer, não há um único evento na vida que não possa ser previsto, mudado e necessário.

Olódùmarè é a força criativa central. Para os Yorubá, Olódùmarè concebeu o Universo em um êxtase de si mesmo. Assim, podemos dizer que a criação tem suas raízes no futuro, pelo qual ele vive. O mundo é inquieto porque foi criado dinamizado. Criado assim, o mundo só pode existir em evolução. Sua perfeição aparece desde a origem. A criação se realiza numa ascensão espiritual progressiva, desde a matéria dita inanimada, até atingir, no homem, a dignidade da consciência, que está muito além da questão da cor de sua pele, ou sua raça.

Existe, para o Yorubá, por detrás das aparências e do mundo visível, um elemento inteligente, “racional”, que regula, dirige, anima o cosmos, e que faz com que esse cosmos não seja caos, mas ordem.

Há, com certeza na origem do Universo, um impulso de pura consciência, que é Olódùmarè.

Olódùmarè é um espírito infinitamente perfeito, que existe por si mesmo e de que todos os outros seres recebem a existência. Olódùmarè é o ser sem semelhança. Por isso quando o nomeamos, apenas tangenciamos sua essência.

A existência de Olódùmarè, mais que um pressuposto, é verdade fundamental, ponto de partida para qualquer discurso religioso.

É como se primeiro, reconhecêssemos a sua existência, depois procurássemos a ponte capaz de nos levar a ele, capaz de propiciar a religação com nossa origem. Afinal, nas extremidades invisíveis do nosso mundo, abaixo e acima da nossa realidade, paira o espírito.

Nosso espírito e esse ser transcendente a quem chamamos Olódùmarè, são levados a se encontrar.

No entanto, é natural, para todos nós, a idéia de que não podemos compreender Olódùmarè. Na medida em que ele é infinito, princípio e fim de todas as coisas, encontra-se além dos limites humanos e de sua compreensão. Podemos, sim, conhecê-lo através de seus atributos e deduzir a sua existência através de suas manifestações no Universo e nas coisas criadas.

Somos levados, também, ao conhecimento de Olódùmarè pelo que conhecemos e sabemos com clareza e precisão que Olódùmarè não é.

Para crermos na existência de Olódùmarè e avançarmos em direção aos seu conhecimento é necessário que não comecemos por usar os caminhos da razão. Olhamos e vemos; o mundo é um espelho a mostrar permanentemente a sua presença e grandiosidade, infinita e perfeita.

Diante do maravilhoso e fantástico espetáculo da Criação, a razão humana é capaz de caminhar até o conhecimento da existência do Criador. Em seus reflexos espalhados pelo Universo, ela pode adivinhar suas perfeições de poder, de beleza e de bondade, manifestos em cada ser e em cada elemento. Sua realidade objetiva e invisível manifesta seu eterno poder e sua divindade – torna-se compreensível, desde a criação do mundo, através das criaturas.

No Culto Yorubá podemos afirmar que Olódùmarè é único no céu e na terra, o Supremo sobre todos nós e o chamamos referindo-nos particularmente as suas características de “Senhor de todas as coisas”, “o Soberano que está no Òrun”, “Aquele que tem a máxima autoridade sobre tudo”.

Olódùmarè pode ser conhecido por muitos nomes – afinal de contas, muitas são as suas particulares manifestações nos diversos momentos e planos da Criação, e assim, muitas vezes, ele é chamado de ÒLÓFIN ou OLORÚN.

Olódùmarè é na religião Yorubá o Deus Único, Supremo, Onipotente e Criador de tudo o que existe. Seu nome significa, “O Senhor, o qual é nosso eterno destino”.

Olódùmarè é nossa máxima representação espiritual no universo, ele é o Arquiteto Universal da nossa existência nos mundos paralelos de Òrun e Àiyé.

Quando o mundo começou, havia convivência entre as divindades e os seres humanos, todos podiam ir ao Òrun e voltar quando desejassem. Não havia limitações entre o Òrun e o Àiyé. Então, alguma coisa aconteceu e um extenso espaço surgiu entre o Òrun e o Àiyé. A história do que aconteceu é contada de várias formas, e todas levam a um só motivo. O homem pecou contra o Poder Supremo e uma barreira se levantou. O privilégio da livre comunicação desapareceu em troca do diálogo indireto através das diferentes formas oraculares estabelecidas e legadas pôr Òrúnmìlà.

Não há escuridão que se propague se temos conosco a fé na luz de Olódùmarè.

Os Yorubá acreditam em um Deus supremo, Olódùmarè. Olódùmarè é muito remoto ao Yorubá através de suas virtudes e dualidade. Em outras palavras, Deus criou ambas as forças: “boas ” e ” más ” e jogou no universo; ele deu Àse (poder) para ambos os lados. ” Quando você falar quase ” bom “, você já pressupôs ” mal “”. Há sempre dois lados de toda história ou problema.

Dentro de Ifá o cosmo é dividido em dois. O lado direito está habitado pelos poderes sobrenaturais benevolentes e o lado esquerdo está habitado pelos poderes sobrenaturais e malevolentes. Os poderes benevolentes são os Òrìsà e as associações úteis deles/delas com o ser humano. Os poderes malevolentes são as energias destrutivas do mau como Ikú (morte), Arun (doença), Òfò (perda), Èpè (maldição) e assim por diante. Não há nenhuma coexistência calma entre estes dois poderes, eles sempre estão em conflito.

“Eu não tenho nada além daquilo que todas as pessoas têm, a única diferença entre mim e os demais é que eu acredito na presença de Olódùmarè em minha vida e sempre o coloco à frente de minhas atitudes!”

Àse !

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