REVISTA CARAS EM 2011

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

A Iniciação

A iniciação é um processo extremamente complexo e individual. Diversos são os motivos que levam uma pessoa a iniciação. Há pessoas que têm que ser iniciadas, outras o são simplesmente porque assim quiseram, porque amam a religião.

Após a decisão sobre a iniciação, o primeiro passo é consultar o oráculo Ifá, para recebermos as orientações e procedimentos necessários para que tudo aconteça.

Definida a data, se dá início aos rituais, fica-se recolhido no Ilé Asé pelo tempo estabelecido no oráculo. Inicialmente, descansará o orí. Após este período, será dado início a um processo de limpeza física e espiritual, através de banhos rituais (ervas) e sacrifícios (ebó). Feita a limpeza, será levado para o quarto sagrado, de onde só sairá para as cerimônias no Ilé Asé, ou locais externos sagrados (mar, cachoeira, mata, rio, etc.). A partir deste momento, passa a ser chamado, Ọmọ òrìşà.

É preciso um período de recolhimento para que possamos nos analisar, nos conhecermos, mudarmos o que precisa e nos purificarmos através de vários rituais de limpeza (ebó), oferendas, sacrifícios e borí. O ritual do borí, alimentará um dos mais importantes òrìsà, o orí. Este ritual tem o objetivo de purificar e fortalecer o orí. Uma vez que orí foi devidamente reverenciado, é hora de iniciar o tratamento para o òrìsà. A iniciação é algo muito particular de cada òrìsà, por isto cada um tem seus próprios rituais.

Corpo físico, mente e alma são ritualisticamente preparados para a manifestação divina. Depois de purificados e fortalecidos, estamos prontos para o encontro com a divindade dentro de nós. Durante esta importante fase da iniciação, tudo sempre é feito ao som de cantigas específicas e diante de olhares das poucas pessoas autorizadas. Em seguida, será dado início aos sacrifícios necessários para os òrìsà.

Durante esse período não pode haver a alimentação de sonhos que não fazem parte de seu destino, mas sim daquilo que você sempre foi desde os primórdios e a busca de seu aprimoramento através das orientações apresentadas nos jogos divinatórios de Ifá. Nosso Eu Interior precisa ser respeitado. Precisamos ter o conhecimento da forma correta de sua adoração, para que possamos transformar o comportamento negativo e os vícios de personalidade, este é o verdadeiro àse, o nascer novamente com a maturidade e a consciência e poder reformular a vida de forma a satisfazer-se. Iniciar-se no culto aos òrìşà significa preparar-se para o encontro com o Divino e consequentemente com você mesmo.

No culto Yorùbá, a divindade mais importante, e que sem que ela permita, nada acontece, é o orí. Temos o livre arbítrio das escolhas, e quando decidimos por nos iniciar no culto aos òrìşà, é porque nosso orí já fez a escolha.

Iniciar-se, significa renascer, nascer para o òrìşà, para o mundo espiritual e para uma vida em busca da realização pessoal. Iniciação, é o início de um aprendizado e desafios constantes que requer disciplina e dedicação espiritual, é um processo em que somos orientados a seguir no caminho do equilíbrio e da plenitude.

Sentir a energia do òrìşà, significa sentir o divino, estar em sintonia com o alto e estar vibrando na mais perfeita comunhão com o Universo. É atingir o Nirvana, o estado total de êxtase cósmico. É uma explosão de vida, amor universal, satisfação, preenchimento, conexão total com o Criador.

O homem, sempre almejou conhecer Deus, o Universo e a origem da vida, e Òlódùmarè (o Criador), nos presenteou com a sabedoria do Ifá, que nos fala sobre o princípio de tudo e todos.

O ọmọ òrìşà aprende os mistérios básicos das divindades e da criação; os costumes da comunidade e os princípios que regulam as relações da família espiritual, sua hierarquia sacerdotal e a forma adequada de comportamento nas cerimônias internas e públicas. Conhecimentos acerca de seu òrìşà lhe são ministrados: a maneira adequada de cultuá-lo, suas proibições (Èèwò), virtudes que deverão ser cultivadas, e o que deverá ser evitado, para atrair influências benéficas e harmonia.

Òrìşà não é problema, mas sim a solução no nosso caminho. Através do apoio divino, o ser humano tem condições para vencer as dificuldades internas e externas e a construção de um futuro melhor. O òrìşà não necessita, nem depende de devotos, nós é que buscamos o òrìşà.

Se iniciar na magia do òrìşà é possibilitar através de rituais próprios que o lado divino transpareça; é libertar o Deus Interior que existe em cada ser humano, permitindo-lhe vir à tona e provocar o impulso capaz de conduzir a individualidade à realização pessoal, estabelecendo dessa maneira a mais perfeita comunhão possível com o Universo, com a Natureza, com o Criador, enfim, com a própria Vida.

Os rituais iniciáticos para os mistérios dos òrìsà, são a forma de receber o sagrado em si mesmo, ou seja, permitir que o Deus Interior, desperte em cada indivíduo e estabeleça a ponte com o Cosmos. O caminho da iniciação é o conhecimento das forças que regem o Universo e a Vida nas suas mais variadas formas e manifestação.

A tarefa do poder divino universal que preside sobre todos os elementos da criação, é dominar a ilusão e a negatividade existentes aqui na terra. A verdadeira essência da vida está dentro de você. Neste exato momento você pode se voltar para dentro de si mesmo. Tudo o que se precisa é uma jornada silenciosa em direção ao seu próprio ser, uma peregrinação ao seu próprio eu. E no momento em que você encontrar o seu centro, você terá encontrado o centro de toda a existência. Este é o verdadeiro motivo, pelo qual nos iniciamos!

Trabalho de pesquisa:

– adaptado por Erelú Ìyá Òşún Funkè, Ìyánifá fun mi Lợla (Fátima Gilvaz)

– Efunlase

– vários sites sobre o assunto

– blog olojè Obarainan



www.efunlase.com

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