REVISTA CARAS EM 2011

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Èṣù é o princípio dinâmico de todas as coisas! É a chama viva da existência!



Por esta razão não é possível conceituar esta divindade de maneira muito específica. Ele é o movimento da vida, é o Òjíṣẹ, o mensageiro divino, e não apenas dos Òrìṣà, mas de Olódùmarè, de Deus. É o guardião dos templos, das casas e cidades.
Foi Èṣù quem revelou aos homens o oráculo, o poder da comunicação com as divindades. É absolutamente impossível a consulta ao sistema de jogo de búzios, o mẹ́rìndilógún, sem a presença de Èṣù, sem suas vibrações intuitivas. Esta característica de ser o patrono do oráculo confere a Èṣù o poder da onisciência.

Por outro lado, Èṣù é quem nos traz à vida através do ato sexual, não sendo ele um Òrìṣà da procriação, mas do ato sexual em si. E esta sua face sexual, infelizmente, foi muito mal interpretada pelos missionários católicos que chegaram à África muito antes da diáspora Yorubá nas Américas. Assim, Èṣù foi inadequadamente associado ao Diabo do cristianismo, sendo relacionado à maldade e à perversão, quando, na verdade, Èṣù é a expressão mais viva da liberdade.

Esta forma de se ver e conceituar Èṣù se mantem até os dias atuais com o auxílio de pessoas desinformadas e inconsequentes que associam esta divindade primordial com energias malignas. O Diabo é uma entidade cristã, do cristianismo, não existe culto a ele entre os Yorubá nem entre os adeptos do candomblé tradicional.

Este comportamento de sincretizar Èṣù com o mal extremo, dom o Diabo, tornou-se por ser um dos maiores argumentos das igrejas cristãs, essencialmente as neopentecostais, bem como da sociedade como um todo, para a legitimação da demonização do candomblé em geral e, consequentemente, da efetivação da intolerância religiosa. Não esquecendo que todo este preconceito contras as religiões negras, nasce no bojo do racismo.



Èṣù histórico.

Como personagem histórico, Èṣù teria sido um dos companheiros de Odùdúwà, personagem histórico e mitológico e fundador do Império Yorubano. Era chamado, então, de Ọbasin. Èṣù foi, portanto, um Àwọn Agbàgbà, um dos antigos que chegaram com Odùdúwà à África Negra para fundação de Ilé Ifẹ, cidade sagrada e berço da humanidade, e de toda a dinastia yorubana.

Èṣù Òrìṣà

Como Òrìṣà, veio ao mundo com o Ọ́gọ́ (bastão de madeira adornado com búzios e com duas cabaças penduradas, os quais, em conjunto, representam um pênis com os testículos). É o símbolo da sexualidade, pois Èṣù é a sexualidade por excelência. Este bastão tem a propriedade de transportá-lo, em poucos instantes, a centenas de quilômetros e de atrair, por um poder magnético, objetos situados a grandes distâncias. Esta capacidade confere a Èṣù uma onipresença provisória, pois, diferentemente de Olódùmarè, ele não está em todos os lugares ao mesmo tempo, mas pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo caso seja preciso.

Èṣù e seus múltiplos

Èṣù é multifacetado, diverso e incompreensível na sua metamorfose contínua. É a parte quente de nosso corpo que deseja, chora, dança e ri. É a chama viva da existência, aquela que nos dá prazer, nos desperta para a vida.

Como qualquer Òrìṣà, não existem vários Èṣù, mas sim, várias formas de vê-lo, de cultuá-lo, de tê-lo perto de si, pois Èṣù é a mais útil das divindades do panteão Yorubá. É ele quem nos socorre e nos auxilia com mais destreza e agilidade. Está sempre a salvar seus seguidores de situações difíceis e, às vezes, perigosas e para tal pede muito pouco em troca. Não exige submissão, nem sacrifícios sociais, nem abdicações nem determina interdições. Pede apenas modestos presentes. Não são raros os casos em que Èṣù foi o salvador da situação.



Ele possui tantas formas e aspectos que apresentaremos alguns de seus nomes de acordo com suas funções nos rituais do candomblé. Assim, os epítetos mais comuns pelos quais Èṣù é saudado de acordo com sua área de atuação e utilidade são:

Iyangi

É o princípio de tudo, a própria memória de Olódùmarè. Iyangi é por excelência o símbolo da existência e, em consequência disto, o elemento que leva à mobilização, à transformação e ao crescimento. É o princípio dinâmico de tudo que existe e do que virá a existir. Ele é um Àgba, um mais velho e é o pai retratado no mito no qual é perseguido por Ọ̀rúnmìlà através dos nove Ọ̀run. Iyangi é a laterita, mineral vermelho primordial que origina a bauxita;

Ìgbá Kẹta

É outro aspecto mais importante de Èṣù e que está ligado ao número três, a terceira cabaça na qual ele é representado pela figura de barro junto aos elementos da criação. Aqui a prova de que ele é uma divindade primordial;

Ìkórita Mẹ́ta

É o Senhor do encontro dos caminhos. Senhor da Encruzilhada. É Èṣù em sua fase mais humana, dado a receber oferendas e sacrifícios para tarefas específicas. A encruzilhada, metaforicamente, é uma multiplicidade de caminhos na vida pelos quais o homem está sempre em busca de um que seja o mais seguro e que o leve a algum lugar. Ela permite pensar as possibilidades de novos caminhos;

Òkòtó

É representado pelo caracol agulha e mostra a evolução de tudo que existe sobre a Terra. Está ligado ao Òrìṣà Ajé Ṣaluga, antigo Òrìṣà da riqueza dos Yorubá. É o Èṣù em sua face de mudanças, não necessariamente para melhor ou pior, mas da mudança em si;

Ọbasin

É o nome pelo qual ele é conhecido e cultuado em Ilé Ifẹ, tendo sido, como falamos anteriormente, o companheiro de Odùdúwà em sua longa viagem até as terras Yorubá. É o Èṣù histórico;

Òdára

É o que, satisfeito através do sacrifício, traz a felicidade, a alegria e o amor. Intimamente ligado a Ọ̀ṣun, é a face mais benéfica de Èṣù. Òdára deriva do termo em yorubá “dára”, que por sua vez quer dizer “ser bom, ser bonito, ser bem feito”. Ele é a personificação da energia benéfica, da bondade, mas sem perder suas características humanas. Ele é bom, não é bobo;

ÒjisẹẸbọ

É este quem observa se os sacrifícios rituais estão de acordo e recomenda sua aceitação diante de Olódùmarè. É a face de Èṣù que comprova seu contato direto com Deus, algo que nenhum outro Òrìṣà tem permissão de fazer. Èṣù, então é Òrìṣà mais perto de Deus;

Ẹlẹ́rù

O que leva os carregos dos recém-iniciados. Um Èṣù útil e bem específico;

Enugbarijó

É o que devolve aos sacrificantes, em forma de benefícios, o sacrifício. É aquele que come “tudo que a boca come” para, em seguida, retribuir os presentes e oferendas recebidos;

Ẹlẹ́gbára

Poderoso Èṣù que transforma o mal em bem, cujo poder reside na transformação das coisas. Este pode ser conhecido por diversos subnomes como: Làálúu, Ijẹ̀lú, Tirirí, Alákétu, dentre outros;

Akẹ́san

Èṣù que em Ọ̀yọ tem cargo de “chefe de uma missão”, e tem por objetivo supervisionar as atividades do mercado do rei. É o patrono do mẹ́rìndilógún, do jogo de búzios. Quem usa este oraculo deve o ter assentado.

Bara

(Cuja pronúncia é /bará/ e não /bára/ como é dito comumente), é um dos mais importantes aspectos de Èṣù, pois ele é o do movimento do corpo humano, sendo “assentado” no momento da iniciação, junto com Orí e os Òrìṣà individuais. É o Èṣù do corpo e está espalhado energeticamente por todo o corpo dos iniciados. É também o nosso protetor primaz, ao qual não é preciso pedir, ele nos protege automaticamente de diversos perigos, desde que esteja alimentado e que a proteção não interfira nas ordens de Olódùmarè;

Ọlọ̀nan

É o senhor de todos os caminhos do mundo;

Ọlọ̀bẹ

É o dono do ọ̀bẹ (faca), tem que ser reverenciado ao começar todos os sacrifícios nos quais a faca é necessária;

Ẹlẹ́bọ

É aquele que faz o sacrifício e carrega todos os ẹ́bọ;

Odùso

É ele quem vigia o Bàbáláwo para que este não minta e é o que produz os odù;

Ẹlepo

É o que recebe o sacrifício do azeite de dendê e supervisiona sua fabricação;

Iná

Um dos aspectos mais importantes deste Èṣù é presidir o Ìpadé, sendo o dono do fogo. É a Èṣù Iná (inã) que os bàbálòrìṣà ou ìyálòrìṣà se dirigem no começo do Ìpadé.



Oriki Èṣù

Èṣù pẹ̀lẹ́ o

Èṣù, okanamaho, ayanrabatá awò he oja oyinṣeṣe

Èṣù, seguri alabaja, olofin apekayu, amoniṣe gun mapò

Èṣù, ba nṣe ki ìmọ

Èṣù, keru o ba onimimi

Èṣù, fun mi ọfọ ase mo pele Òrìṣà

Èṣù, alayiki a júbà

Tradução



Elogiado é o espírito do Èṣù

Èṣù, eu chamo a você por seus nomes de elogio

Èṣù, guia minha cabeça para minha rota com destino

Èṣù, eu honro a sabedoria infinita

Èṣù, ache lugar onde submergir meus sofrimentos

Èṣù, dê força para minhas palavras de forma que evoque os Òrìṣà

Èṣù, nós pagamos nossos cumprimentos dançando em círculo

Èṣù é um só, porém, subdividido em incontáveis partes e desta forma, todos os seres humanos, assim como os próprios Òrìṣà, possuem seus Èṣù individuais.



Láaròyè!

Pesquisa: Ogá Braga D’Òsóòsi

Fonte:http://www.candomblesemsegredos.com.br/osoosi.html , https://ileaxeoxolufaniwin.wordpress.com

Autor: Gill Sampaio Ominirò

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