Oguê de Odé
O feijão-fradinho torrado é um dos grãos mais utilizados nos rituais, pois carrega em si a energia da fertilidade, prosperidade e multiplicação. Quando oferecido aos Òrìṣàs, ele não é apenas um alimento: torna-se um condutor de axé, trazendo fartura para a casa e para o caminho daquele que entrega. Torrado, ele representa a transformação pelo fogo, simbolizando a capacidade de resistir, de mudar de estado e de se tornar ainda mais forte, sem perder sua essência. É o grão que se multiplica e fortalece, chamando abundância, saúde e firmeza.
O Oguê de Odé (os chifres) é um dos símbolos mais sagrados de Oxóssi, o caçador, senhor da fartura e da sabedoria da mata. O chifre representa força, vitalidade, abundância e ligação direta com a natureza. É por ele que Odé chama a caça, anuncia sua presença e ecoa sua voz na floresta. Dentro do culto, o oguê é também um instrumento de comunicação espiritual, usado para invocar, para saudar e para reforçar o poder de quem caminha com Oxóssi.
Juntos, o feijão-fradinho torrado e o oguê de Odé expressam o encontro da fartura com a força da natureza. O grão multiplica, o chifre ecoa; um alimenta, o outro protege. Assim, são colocados nos ebós e assentamentos para abrir os caminhos, trazer prosperidade, saúde e manter viva a ligação com o caçador divino, guardião dos alimentos e da sobrevivência.


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