REVISTA CARAS EM 2011

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domingo, 24 de março de 2013

Xambá – Uma nação.


A Nação Xambá está ainda bem viva e ativa em Olinda, Pernambuco. Apesar de alguns autores afirmarem que o culto Xambá no Brasil está praticamente extinto. O Xambá de Pernambuco ainda permanecerá vivo por muitas gerações, mantendo seus ritos, mitos e tradição.
Com o falecimento da grande Iyalorixá do Xambá, Severina Paraíso da Silva “Mãe Biu”, como era mais conhecida em 1993, o herdeiro do trono do Xambá é o Babalorixá Adeildo Paraíso. Conhecido popularmente e pelos que fazem parte daquele terreiro como Ivo do Xambá, que convocou seus filhos de santo: professores Antonio Albino, Hildo Leal e João Monteiro, para elaborarem um projeto arrojado e inovador para o terreiro do Portão do Gelo, que seria o memorial do Xambá, onde seriam reunidos e preservados documentos fotográficos e objetos ligados a vida e a atuação da grande líder religiosa, bem como da memória do “Terreiro Santa Bárbara Nação Xambá”.
Fugindo de Maceió, capital de Alagoas, no início da década de 20 do século XX, o babalorixá Artur Rosendo Pereira, de acordo com a “Cartilha da Nação Xambá” (Hildo Leal Rosa,2000), devido à perseguição política às religiões afro-brasileiras da época, se estabelece no Recife, mais exatamente na rua da Regeneração, no bairro de Água Fria. Antes mesmo de fugir da repressão política e ainda residindo em Maceió, o babalorixá Artur Resende viaja à Costa da África onde permanece por quatro anos e com o tio Antonio, que trabalhava no mercado de Dakar, no Senegal vendendo panelas, segundo René Ribeiro. E por volta de 1923, seguindo as tradições da Nação Xambá, e já em Recife, reinicia suas atividades de zelador de Orixás.
O Babalorixá Artur Rosendo iniciou muitos filhos de santo, tendo muitos deles aberto terreiro. Uma de suas filhas mais notáveis foi Maria das Dores da Silva, “Maria Oyá” iniciada em 1928. A saída de iyawô de Maria de Oyá foi realizada sem toques de tambores e cantada em voz baixa por cauda da perseguição. Logo após a iniciação de Maria de Oyá, Artur volta para Maceió.
Em 1930, Maria de Oyá inaugura seu terreiro na rua da Mangueira no bairro de Campo Grande em Recife. Com a conclusão de sua iniciação em 13 de dezembro de 1932, recebe então as folhas, a faca e a espada das mãos de seu Babalorixá que realizou ao meio dia o ritual de coroação de Oyá no trono. Cerimônia belíssima que até hoje é repetida mantendo a tradição Xambá de Pernambuco.
Em 1932 Maria de Oyá tira seu primeiro barco de três iyawôs. Ainda em 1932 ela inicia seu segundo barco de iyawôs, este maior e iniciando principalmente Donatila Paraíso do Nascimento que em 1933 assume o cargo de Mãe Pequena do terreiro, vindo a falecer em 2003 aos 92 anos e passando 60 anos de sua vida no cargo, sendo mais conhecida por Tia Tila, uma outra filha ilustre foi Lídia Alves da Silva (Talabi).
Daí em diante a sucessão de iniciações crescem, O Xambá passa a brilhar ainda mais. Quando em junho de 1935, Maria Oyá inicia nos ritos a sua mais primorosa filha, a que lhe sucederá, Severina Paraíso da Silva, “Mãe Biu”.
Com o passar dos anos e com a violência policial do Estado Novo cada vez mais rígida, em 1938, Maria de Oyá é obrigada a fechar seunterreiro. Terreiro esse que não abriria mais suas portas guiada por aquela que pelas mãoes dr Artur Rosendo Pereira troxe o Xambá para Pernambuco. Pois em 1939 Maria Oyá se despede de sua vida terrena, deixando o Xambá órfão. É ainda nesse duro periodo de perseguições que juntamente com outras nações de candomblé cultuadas em Pernambuco que todos os terreiros são fechados e seus fiéis tolhidos, durante 12 longos anos até 1950, daquilo que lhes é mais precioso, do culto de seus Orixás, Inkísses e Voduns.
Porém.como depois de uma guerreira de Oyá há de vir uma outra guerreira para continuar a luta por seus ideais, pela conservação dos ritos e mitos de uma tradição, Mãe Biu de Oyá Megué reabre o terreiro Xambá em 1950 na estrada do Cumbe, 1012 no bairro de Santa Clara na cidade do Recife, tendo como seu Babalorixá o senhor Manuel Mariano da Silva, como Iyalorixá Dona Eudoxia, como padrinho o senhor Luiz da Guia e madrinha Dona Severina. Permanceu nesse endereço por apenas 10 meses, no dia 7 de abril de 1951 o terreiro se muda para o atual endereço na Antiga rua Albino Neves de Andrade, hoje rua Severina Paraíso da Silva, 65 na localidade do portão do Gelo, bairro de São Benedito-Olinda-Pernambuco.
Com o falecimento de Mãe Biu, que durante 24 anos dirigiu o terreiro Xambá, auxiliada por sua fiel e inseparável irmã e amiga Tia Tila que então assume o cargo de Iyalorixá por um periodo de 10 anos, tendo como Babalorixá seu sobrinho carnal Adeildo Paraíso, filho carnal de Mãe Biu. Hoje com o falecimento de Tia Tila, assume o trono do Xambá a Iyalorixá Maria de Lourdes da Silva de Yemonjá, iniciada por MãeBil em 18 de maio de 1958.
A jovem guarda do Xambá de Pernambuco orgulha-se de seu terreiro, do seu povo, de sua simplicidade sem invenções modernas, sem se quer mudar uma linha do que lhes deixou seu propulsor e suas grandes e humildes Mães de santo.
O Terreiro do Xambá está lá no Portão do Gelo, preservado, conservado e servindo de exemplo para muitos terreiros tradicionais. O Memorial do Xambá foi criado de acordo com a solicitação de seu Babalorixá aos seus filhos, para contar a história de um povo aguerrido e ordeiro.
WWw.nacaoxamba.com.br
Matéria da revista: Candomblé Mitos e Lendas
Editora: Minuano

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