REVISTA CARAS EM 2011

Compartilhe

WhatsApp Windows Gadget Pocket Flipboard Blogger Facebook Twitter Google+ LinkedIn Pinterest Addthis

domingo, 1 de maio de 2016

Ogum iê!


Ogum é o Orixá que rege as batalhas. Todos os instrumentos são consagrados a Ogum, uma vez que, acima de tudo, é ele o Orixá da forja e da metalurgia, processo de manipulação dos metais.
Por isso, um dos símbolos deste Orixá são as sete ferramentas juntas, que representam exatamente este poder sobre os metais, em especial o ferro, considerado o metal negro, símbolo da relação de Ogum com o elemento terra.
Entendemos Ogum, acima de seu papel mitológico, como o impulso Divino primordial. Este Orixá é a força que rege todo início de movimento, força que rompe a barreira estática de todo início de processo. Quem não percebe que o começo de um processo pode parecer lento e difícil, mas que a continuidade de um processo já iniciado não parece tão maçante assim? É Ogum aquela energia que possibilita o início do que quer que seja. É a explosão inicial e a quebra do equilíbrio estático.
Também em Ogum vemos uma forte relação com todos os Orixás. Ele é considerado um dos Orixás mais antigos, já que estava lá quando tudo foi iniciado. É considerado a força irmã da energia de Exu (o movimento), sendo que Exu e Ogum andam sempre juntos.

Ogum é o Orixá do movimento e do impulso. Sua energia se relaciona com todo processo de revolta que gera uma mudança em relação ao padrão anterior. É a energia da conquista que não se preocupa com a manutenção do conquistado. Por isto, diz-se que Ogum é a figura mitológica do grande guerreiro, o grande general que lidera e vence todas as batalhas. O guerreiro valente e impulsivo que, com sua ira e suas armas, submete todos os inimigos e derruba todos os obstáculos.

É um Orixá fortemente relacionado com os elementos terra e fogo, este último mais comum em nossa Umbanda e explicitado pela cor deste Orixá, o vermelho. O branco também atribuído a Ogum mostra sua relação primordial com a Criação, enquanto impulso original de todo o criado.

O modelo do arquétipo demonstrado pelos filhos de Ogum é o das pessoas rebeldes, briguentas e impulsivas. Que perseguem energeticamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Possuem humor mutável, passando por furiosos acessos de raiva ao mais tranquilo dos comportamentos. É o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas. Os filhos de Ogum nada temem, são atléticos, agressivos e de mau humor, conquistadores, rápidos, agem sem pensar, ofendem-se facilmente, insistem naquilo que desejam, emotivos, impacientes, brigões, arrependem-se facilmente, gostam de comer bem e de beber, temperamento difícil e com muita iniciativa. Os filhos de Ogum não podem ter vícios, principalmente com bebidas e drogas. Não conseguem falar manso, gostando das disputas até no falar. São práticos e não são egoístas, gostando de fazer doação de suas coisas. São apaixonados por viagens, mudanças de endereços, curiosos, adoram inovações tecnológicas. Ogum rege, no corpo humano, o sistema nervoso, as mãos, os pulsos e o sangue. As doenças mais associadas a Ogum são relacionadas às articulações, aparelho digestivo e fígado.
Ogum toma a vanguarda, vai na frente dos outros, o que precede, é o símbolo do primogênito que, através de sua agressão, abre o caminho para quem o segue. É um desbravador em todo o sentido do termo. Por estas características, anda e trabalha junto com Exu, indo na frente, abrindo caminho para Exu passar e trabalhar no Baixo Astral, nas zonas umbralinas, ajudando a combater o mal e defende os Exus dos ataques dos kiumbas nos locais sombrios. Assim, em toda firmeza para Exu, Ogum faz a ronda, também fazendo papel de guardião.

É o protetor dos militares e guerreiros. Tem ânsia de conquistas, mesmo que não tenha nenhuma estratégia, o que o difere de Xangô. Diz-se que Ogum não pede, Ele toma. Tem grande dificuldade de manter as suas conquistas. Ogum é um excelente executor de ideias; é impaciente, sincero, violento e brigão. Abre os caminhos junto com Exu. É objetivo. É o senhor das contendas sempre atacando pela frente, de peito aberto. Sabe armar arapucas para pegar o inimigo.

É o Senhor dos objetos cortantes e armas de fogo. Carrega a força de qualquer impacto, vibrando em todos os momentos impactantes. É o que ferve o sangue. Está presente no calor das coisas, principalmente no fogo. É a força instintiva de Marte, sendo este o planeta regente desse Orixá. Padroeiro de todos aqueles que manejam o ferro, como lanterneiros, maquineiros e ferreiros. Ogum é o símbolo do trabalho, da atividade de criação e expansão.

Ogum representa ou se manifesta através da luta pela sobrevivência e por isso está associado à defesa de todos os reinos, além de estar diretamente associado ao início de tudo, ao novo, à conquista.
Ao encontrarmos a energia do Orixá Ogum, cujo elemento é o fogo, manifestando-se no reino do Orixá Omulu - que é a terra, o chão, o solo, através do calor do sol e traduzimos isso para a calunga pequena ou cemitério, que em termos ritualísticos de Umbanda é o reino de Omulu - temos a formação do desdobramento de Ogum, chamado de Ogum Megê. Ou seja, é o Orixá Ogum atuando na defesa do reino do Orixá Omulu em combinação vibratória com o mesmo, formando este desdobramento de Ogum. É o Ogum magista, ou seja, conquista/defesa através da magia.

Quando o Orixá Ogum manifesta-se na defesa do reino de Xangô, encontramos o desdobramento chamado de Ogum de Lei, ou seja, combinação vibratória do Orixá Ogum com o Orixá Xangô. Em nível de necessidade nossa de terra (ou terreiro) é quando Ogum atua na execução de justiça. É o Ogum da ponderação, ou seja, conquista/defesa através da ponderação, da estratégia.

Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com o Orixá Oxossi dá-se o nome de Ogum Rompe-Mato. É o Ogum do imediatismo, ou seja, conquista/defesa através da expansão.

Ao cruzamento vibratório do Orixá Ogum com a Orixá Oxum, ou seja, Ogum atuando na defesa dos rios e cascatas, dá-se o nome de Ogum Iara. É o Ogum da diplomacia, ou seja, conquista/defesa através da concórdia, diplomacia.

E o Orixá Ogum atuando na defesa do reino de Iemanjá, juntamente com a Orixá Iansã (ação sazonal dos ventos e tempestades causando a turbulência das ondas) dá-se o nome a esta manifestação de Ogum Beira-Mar. É o Ogum do inesperado, ou seja, conquista/defesa através de ações inesperadas.
Uma observação importante a se fazer é que cada vez que um Orixá se desdobra por combinar-se com outro, ele absorve algumas de características do Orixá com o qual se combinou, gerando e atendendo assim outras necessidades nossas.

Especificando:
Ogum Megê – este desdobramento de Ogum, gerado pela união dos elementos terra (Omulu) e fogo, está presente nos assuntos atinentes a desmanche de magia.
Ogum de Lei – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a execução de justiça.
Ogum Iara – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquistas diplomáticas.
Ogum Rompe Mato – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos pertinentes a coisas de solução rápida, revigorantes e de conquista de espaço de maneira geral.
Ogum Beira Mar – este desdobramento de Ogum está presente nos assuntos atinentes a conquista material e de fortuna.
Estas são as manifestações mais comuns que se apresentam nos terreiros e são considerados chefes de linha, outras encontradas em nível de terreiro são consideradas desdobramentos destes desdobramentos.




Em função de sua característica básica de luta e guerra, o Orixá Ogum foi associado ao planeta Marte, que rege a terça-feira, e por extensão é o dia da semana em que cultuamos Ogum na Umbanda. O dia em que homenageamos Ogum é 23 de abril. Na Umbanda é sincretizado com São Jorge, mas NÃO é este Santo! Suas cores são o vermelho e branco. Seus domínios são as estradas, encruzilhadas, cachoeiras e o mar. Seu Amalá é a feijoada feita de feijão fradinho ou feijão vermelho.

Compartilhe

WhatsApp Windows Gadget Pocket Flipboard Blogger Facebook Twitter Google+ LinkedIn Pinterest Addthis