REVISTA CARAS EM 2011

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domingo, 24 de março de 2013

O Dia Nacional da Consciência Negra


“O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A semana dentro da qual está esse dia recebe o nome de Semana da Consciência Negra.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. O Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte de africanos para o solo brasileiro (1594).
Algumas entidades como o Movimento Negro (o maior do gênero no país) organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.” (Wikipedia)
Muito recentemente foi lançado na rede um vídeo curto onde em um momento o entrevistador indaga o ator Morgan Freeman com a seguinte questão: “Quando iremos nos livrar do racismo?”, e Morgan o responde “Parando de falar sobre ele.”.
Esse vídeo tem sido usado por muitas pessoas para passar a ideia de que quem fortalece o racismo são aqueles que falam e lutam contra ele e, por conseqüência, o mês da Consciência Negra é posto em cheque.
Infelizmente muitas pessoas são capazes de usar quarenta segundos de um vídeo editado e descontextualizado para criticar e fortalecer o mito da democracia racial no nosso país, pois viveríamos numa sociedade igualitária e com oportunidades acessíveis a todos. O que valeria seria a meritocracia.
Desconsiderar a necessidade da discussão, da existência do problema e de soluções para que o racismo não ganhe mais força, para mim, beira a insanidade e a ignorância.
O racismo é um problema complexo e todos os movimentos que aqui estão lutando não estão aqui por conflito entre raças, para testar ou comprovar alguma soberania racial. O racismo existe, os números comprovam, a tela da nossa sociedade comprova, a minha prima negra de seis anos que tem vergonha do cabelo por causa dos amiguinhos da escola comprova, os índices de marginalização também comprovam isso, a negra como empregada doméstica na televisão comprova isso.
Não só se discute preconceito e racismo no mês de novembro. Durante todos os outros meses do ano há pessoas engajadas em estudar, observar, comprovar esta anomalia presente em nossa sociedade e montar políticas públicas que visem diminuir esse abismo de diferenças sociais.
Afirmo-lhes: não adianta dizer que racismo existe ou não, não adianta dizer que é contra ou a favor do movimento da boca pra fora por causa de quarenta segundos. A história do negro marginalizado aqui tem centenas de anos, ou seja, precisamos de muito mais que quarenta segundos para discutir o problema. Adianta sim abrir os horizontes dos nossos olhos, do nosso mundinho, ler, buscar informação, usar os nossos olhos para observarmos como realmente são as coisas ao nosso redor.
O mês, a semana, o Dia da Consciência Negra servem para tentar tirar –  com mais ênfase – do pensamento dos próprios negros as palavras que eu ouvi num ônibus dia desses: “Negro nasceu pra sofrer.”. Não é se por na moda, no politicamente correto e sim não ver na própria cor, no próprio cabelo entraves para a própria aceitação. Nós temos que nos ver com os nossos próprios olhos e não com os olhos de uma sociedade montada e estratificada de uma maneira onde a sua base é composta, em sua maioria, pelos descendentes daqueles falsamente alforriados no dia 13 de maio de 1888.

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