Pular para o conteúdo principal

Òsùmàrè - Senhor da Transformação

Como eu havia escrito nos últimos posts, esse mês é dedicado às divindades presentes no Olubajé e não teria como falar da família Jeje sem explanar sobre Òsùmàrè, Orisá do arco-íris, da transformação e de mutação. Existem pelo mundo diversos cultos a Dan, ou seja, a cobra. O fascínio do homem sempre foi grande a respeito desses animais que tanto encantam quanto causam medo e como tudo na natureza, existe um Orisá que representa essa força. Porém achar que Òsùmàrè é uma cobra ou apenas domina os rastejadores, reduz nosso pensamento diante de tantas outras forças que ele representa. 
Òsùmàrè é a mutação, a transição entre a água, a terra e o ar, nasce da lama do fundo do rio e atravessa o limite do universo. Sua ligação com Omolu tem origem em seu nascimento, pois também é filho de Nanã e como os demais filhos, foi criado por Iemanjá e apadrinhado por Olokun, Orisá das profundezas do oceano. Òsùmàrè, tem forte ligação com Òsún, devido a água, seu habitat; com Iroko, pois também é ligado a ancestralidade; e com Ossayn, onde domina o poder de cura. Também possui ligações com Orumilá, onde em muitos itans (lendas), Òsùmàrè aparece como Babálawò, manipulando as forças do destino. Por fim, apresenta ligações com Iku, afinal a morte é uma das principais transformações do Aiyè (Terra). 
É importante destacar, que o uso da cor branca nas vestimentas do Orisá é pelo significado de eternidade, assim como o dourado que é associado ao sol e a riqueza. Òsùmàrè usa a ikó (lança), símbolo de defesa, assim como a adága (espada) e o takará (círculo de metal unido com uma lança), além da dan (cobra) de metal, usada em seu assentamento sempre em par, pois Òsùmàrè é fortemente ligado a dualidade, o macho e a fêmea.
Que Òsùmàrè esteja sempre presente na vida de todos vocês, favorecendo boas transformações e cobrindo a todos de prosperidade. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DICIONÁRIO YORUBÁ/PORTUGUÊS

DICIONÁRIO YORUBÁ/PORTUGUÊS

Pontos Riscados – Exemplos

Cada entidade possui sua assinatura espiritual, ponto riscado proprio, particular e unico, que a (o) identifica como parte de uma falange, sua identidade, suas vibrações, campos de atualização, que forças manipula com aquele médium – o enredo do mesmo – assim como as forças que disponibilizará/atuará naquela casa/terreiro/centro em que está se manifestando com o presente médium.

omi-torô

Água de ekó ou omi torô (água de preceito), é a água resultante do cozimento da canjica branca. Esta água é usada para diversos fins dentro do candomblé, seja qual for a nação, pois produz calmaria e propicia o equilíbrio das pessoas. É usada como um maravilhoso banho calmante, apaziguando orís em desequilíbrio. Entrando em quase todos os fundamentos de orixá. Tempera orôs resfriando-os e trazendo o asé. Afugenta ajés, traz a clareza e a brancura dos orixás fun-fun. RECEITA DE OMÍ TORÔ TRADICIONAL: Água da canjica Água de arroz (dormida no sereno de um dia pro outro) Água de mina 1 efun ralado 1 pitada de noz moscada ralada 1 acaçá dissolvido 1 bacia de ágata ou terrina de louça Além de um banho calmante e pacificador, serve como ajé de portão, sendo colocado do lado direito da porta de entrada do barracão, tranqüilizando a casa e os filhos de santo, e esfriando e despachando os ajés na porta. (Nota: preceito de 3 dias para quem toma esse banho: roupa de cor, carne, sexo e bebida ...