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Série Orisás – Iroko


(Baseado no que vi e vivi)

Seguindo para Iroko, descobrimos mais um universo inteiro de “itáns” e a cada passo que damos no Candomblé, mas fantástica fica essa linda viagem de encontro ao passado e aprendizado eterno.
Segundo uma lenda, quando os orisás retornaram para o orún, os humanos sentiram saudade de estar próximos as divindades e clamaram a Obatalá, que mandou uma semente miraculosa a Onile(Terra), que abraçou e fez surgir Iroko, um orisá que seria um altar para que todos os omo-orisás pudessem levar oferendas e sentir a presença dos orisás, em agradecimento Iroko deu a Obatalá um dos seus primeiros galhos mais firmes, de onde nasceu a tradição do Opásòrò, que liga o orún(céu) e o aiyè(terra), que Osálá carrega até hoje. Com o tempo, as migrações começaram a acontecer e Iroko assumiu então o papel de guardião da ancestralidade, hierarquia e tradição oral, e é cultuado como pai de todas as árvores, tendo estreita ligação com Oduduwa, Omolu, Iyèmonjá e Airá, assim como Oro, divindade que mora dentro de Iroko.
Iroko é cheio de segredos e mistérios, e assim é a iniciação de seus filhos, pois está ligado a Ikú(morte), Ibeji e ao Egbé Abiku(sociedade das crianças que nascem para retornar, morrer) e precisamos de muita prudência na hora de plantar seu asé. Diz os antigos que há apenas um Iroko iniciado por roça, somente um principio e mesmo após a morte do iniciado, demora-se muito tempo para chegar outro filho desse Orisá, que sempre é apresentado de branco, símbolo da eternidade e suas contas que são brancas, marrom e verde.
Ouvi de um mais velho, que a vida de uma pessoa de Iroko segue as estações do ano, florescendo, dando frutos, secando e renascendo. Outra grande polêmica é que a maioria dos asés considera que os filhos de Iroko não podem ser iyálorisás ou babálorisás, pois Iroko não lhes permite prende-se, sendo a função de seu omo-orisá aprender e transmitir conhecimento para as futuras gerações, mas como eu disse acima, essa é uma questão muito delicada e precisa ser bem mais discutida, o que não é intensão dessa série. 
Que Olorún e Iroko esteja sempre presente na vida de todos vocês, preservando a sabedoria e a fé.

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