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O Axé das Antigas Baianas no Carnaval


Segundo Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, autores do Dicionário da História do Samba, os fatos comprovam que não se pode desassociar a relação entre as antigas escolas de samba das religiões afro. As "Tias" (antigas baianas) eram iniciadas no Candomblé e levavam para essas escolas palavras usadas nos rituais, como por exemplo, o termo barracão, que passou a designar os galpões que abrigam as fantasias e alegorias das escolas de samba. Por sua vez, as quadras eram chamadas de terreiro e dedicadas a um Santo católico ou Orixá correspondente devido à repressão que existia na época sobre o Candomblé.

Hoje, com maior liberdade de expressão, muitos Babalorixás, Yalorixás e seguidores da Umbanda e do Candomblé são ligados ao samba e preservam os costumes das antigas "Tias". Muitos enredos são feitos em referência aos Orixás, demostrando assim, a infinita ligação cultural do samba com as religiões afro.

Neste ano de 2016, Escolas do Grupo Especial e da Série A estão com enredos pautados nos Orixás.

A Estácio de Sá vem com o enredo "Estácio de Sá, Salve Jorge! O guerreiro na fé". O enredo vai mostrar o Santo Guerreiro no cotidiano do povo do Rio, correlacionado com Ogum, o Orixá das lutas.

O Salgueiro traz para a Avenida a "A ópera dos malandros", onde além de exaltar a malandragem natural atribuída ao carioca, diz na letra do samba: "Laroiê, mojuobá, axé! Salve povo de fé, me dê licença! Eu sou da rua e a lua me chamou". Aqui são reverenciados Exu, o Orixá dos caminhos e a entidade Malandro, dos Terreiros de Umbanda.

A Mangueira vem com o enredo "A Menina dos olhos de Oyá" homenageando Maria Bethânia que completa 50 anos de carreira. Oyá, também chamada de Yansã, é o Orixá que controla os ventos e as tempestades e é o Orixá da cantora.

Já na Série A, a Escola Acadêmicos do Cubango traz "Um Banho de Mar a Fantasia" que fala da fértil imaginação humana que tudo sacraliza. Em um momento, o enredo fala da relação de Oxalá com a lavagem do Bonfim, do balaio de Oxum e da fé em Yemanjá.

De novo Ogum é homenageado. A Alegria da Zona Sul mostra no enredo "Ogum" toda a força e importância desse poderoso Orixá.

O enredo da Caprichosos de Pilares "Tem Gringo no Samba" reverencia Tia Ciata que era iniciada no Candomblé e a fé em São Jorge relacionado a Ogum.

A Escola Renascer de Jacarepaguá mostra o enredo "Ibejís, nas Brincadeiras de Criança: os Orixás que Viraram Santos no Brasil". Uma amostra dos Orixás Gêmeos que protegem as crianças, que na Umbanda recebe o nome de Ibejada e é festejada no dia de São Cosme e São Damião.

A Unidos do Viradouro traz "O Alabê de Jerusalém, a saga de Ogundana", um africano nascido na cidade de Ifé na Nigéria, responsável pela música na tribo dos yorubás.

Então, certamente as "Tias" estão felizes no Òrun (céu) vendo gerações e gerações seguirem seus legados.

Láàyè nã ayò! (Viva a alegria!)

Axé!



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