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A Falta de Compromisso – A esperança vazia de uma colheita, sem o plantio


A partir do momento que você decide entrar em uma casa de santo e se iniciar, tem que estar ciente dos seus direito e dos seus deveres. É um verdadeiro relacionamento com o Axé e como toda relação, deve existir ajuda, compromisso e dedicação MUTUA, pois se só uma lado se dedicar, com certeza não dará certo. E é exatamente o que eu estou podendo ver e avaliar dentro e fora da minha casa de santo.

Comigo pelo menos, não há tempo ruim, quando se tem algo a fazer pela vida e pelo Orixá de um filho, não importa se é meio dia, meia noite, uma ou duas horas da manhã. Já perdi aniversários, datas comemorativas, já passei por cima do cansaço, para servir a fé e ao ser humano. Mas o que me deixa muitíssimo chateado é o pouco caso e a tal da “falta de tempo”, que sempre serve de desculpa para justificar a descompromisso com a casa de axé. O engraçado é que quando precisam, estão sempre disponíveis, mostram boa vontade e não pensam duas vezes em ligar ou ficar duas ou três horas no jogo de búzios, pois nós zeladores, temos que encontrar a solução para suas dores e para suas más escolhas, a qualquer custo. Isso cansa uma hora, quantos pais e mães de santo que no passado se dedicaram e só receberam “nãos” e ingratidão, e que hoje continuam na religião, mas não conseguem ver seus filhos de santo, como mais nada além de apenas números.

Peço muita atenção por parte do povo do axé, abiãs, yawòs, novos egbomis, para que dê a atenção devida à sua casa, ao seu Orixá e ao seu zelador(a), para que ele(a) continue zelando bem do seu Ory. Não decepcione quem te deu a mão e o colocou dentro do seu axé, dentro do seu quarto de santo, tendo apenas a sua palavra como garantia. Não estou generalizando, vejo que a cada ano que passa a consciência vem mudando e hoje muitas pessoas não tem mais o candomblé como um “pronto socorro”. Todos nós temos problemas, e existem casos onde o filho realmente não pode se dedicar naquele período e deve sentar e conversar com o seu líder religioso. Salva essas exceções, para mim não existe falta de tempo e sim falta de vontade, pois Olorun criou o dia com 24h e a semana com sete dias, por isso temos que nos organizarmos e separar um tempo para tudo, inclusive para a religião, onde buscamos força.

Uma ótima quarta e que Xangô e Oyá nos protejam dos “desnecessários” do candomblé.

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