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Série Orisás: Ogún

(Textos baseados naquilo que ouvi e vi)

Entre todos os Orisás o que tem personalidade mais marcante é Ogún, sempre determinado, objetivo, com ele não existe duas palavras. Senhor da guerra e do ferro, Ogún veio à terra para desbravar, para abrir caminhos para os demais orisás, ele é o nosso herói, aquele que deu ao homem as ferramentas para o cultivo da terra e construiu a base da sobrevivência, é dele o lar, é dele a agricultura, é dele até mesmo a aliança de metal que simboliza o respeito, a confiança e o amor. 
Pelo carinho e respeito à humanidade, que o guerreiro Ogún também é estreitamente ligado à ancestralidade, sendo guardião do culto à Égùn, afinal seu irmão Esú sempre desafiou a morte ensinando aos povo da terra, ebós e magias para alcançar vida longa, sendo assim Ogún toma a sua frente e guarda os nossos mortos. Todo iyáwò, para nascer para o orisá, precisa de Ogún, pois é dele a navalha, é dele a faca, é dele os utensílios de ferro e aço que usamos na cozinha da casa de asé. Ogún protege aquele que trabalha na estrada, os cabelereiros, agricultores, enfermeiros, cirurgiões e construtores. 
Ogún é o patrono da amizade entre os homens, sempre camarada e fiel, Ogún nunca deixou para trás um companheiro de guerra. Apesar de firme e militar, foi irmão e mestre de Odé, amou Osún loucamente, se apaixonou por Oyá, relação na qual vivia entre tapas e beijos, mas quem lhe acalmava, quem após uma guerra lhe trazia a consciência e sanidade novamente era Yemonjá, sua mãe. Assim são seus filhos, amam aquilo que brilha, são empolgados no que lhe aquecem, mas é na calma, na doçura e serenidade do lar e da família que vivem felizes, por mais que voem, sempre voltam ao forte que guarda seu coração. Ogún é provedor, ama a mesa cheia e não deixa faltar aos seus filhos emprego, pois acredita que sem uma guerra, sem metas, não há evolução. 
Aprenda com Ogún a começar pela base, pelos atos simples e nunca desistir de uma guerra, mas saiba escolher aquelas que devem ser enfrentadas e aquelas que devem ser deixadas para trás, pois não são batalhas, são apenas tempo perdido.

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