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A Gastronomia inspirada nos Orixás



A cultura afro e a religião dos Orixás já serviram de inspiração para os mais variados segmentos da sociedade, dentre eles: músicas, espetáculos teatrais, filmes, séries de TV, novelas, artes plásticas, moda e gastronomia.

No Candomblé, a Ìyábásè ou Ìyálésè é a mulher responsável em cozinhar para os ÒrÌsà's (Orixás). Ela conhece não só todos os alimentos e temperos usados para cada Orixá, como também os respectivos èwò's (tabus).

Graças ao incentivo da irmã, Beatriz Coelho que é iniciada no Candomblé, que Isabel Aranha Coelho (ou Bel Coelho, como é conhecida no meio gastronômico) dedicou-se à culinária dos Orixás. E foi com a Ìyábásè Carmen Virginia de um Terreiro em Recife e com a Ìyábásè do Gantois Ana Célia que Bel Coelho ficou familiarizada com o maná dos Orixás.

Como toda filha de Yánsàn, o lado empreendedor de Bel Coelho associado a uma boa dose de inspiração fez com que nascesse o inovador "Menu dos Orixás". Como uma renomada gourmet, ela se preocupa com o refinamento da alimentação, incluindo não só a forma como os alimentos são preparados, mas também como são apresentados. Tudo isso baseado na história de cada Orixá.

E experiência é que não falta a moça que começou a carreira como estagiária de Laurent Suadeau e do Fasano e já levou sua gastronomia para Inglaterra, França, Portugal e Espanha. No Brasil, á frente do famoso Buddha Bar e Dui, foi indicada a Chef do Ano pelo júri da revista Veja São Paulo.

Bel revelou para o blog que a aceitação do público e do povo de santo tem sido ótima. Ela acrescenta que o principal propósito do Menu dos Orixás é divulgar a culinária afro-brasileira com um toque pessoal: "Eu não faço comida de Orixá, eu faço comida, inspirada na comida de Orixá".

O Menu dos Orixás é servido nos jantares no Clandestino, seu restaurante sazonal. Um espaço que ela montou na Zona Oeste de São Paulo, mas que pretende levar para outras cidades incluindo o Rio de Janeiro e Salvador, onde a cultura afro é bem marcante.

Destaque dos pratos no Menu dos Orixás:


Exu

É o mensageiro entre os seres humanos e os Orixás, por isso sempre é o primeiro a ser servido. Gosta de cachaça, mel, farofa de dendê e tabaco. Em sua homenagem, Bel Coelho criou um cupim em baixa temperatura com farinha de dendê, gelatina de mel, cachaça e fumaça de tabaco com especiarias.

Ogum

É o Guerreiro, Orixá do ferro e da forja. Ogum gosta de feijoada, por isso recebeu como reverência da chef Bel Coelho em seu cardápio um acarajé de feijão preto com paio, costela, laranja fresca e couve crua.

Oxossi

O grande caçador, provedor do alimento. Costuma ser lembrado com carnes de caça. A interpretação da chef para esse Orixá é uma costela de javali na taioba, cozida em baixa temperatura, ao molho de cacau e jaca verde na manteiga de garrafa.

Ossaim

É o Dono de todas as folhas, que vive nas florestas e sabe tudo sobre as curas com as ervas sagradas. Para representar esse orixá, uma salada de ervas e brotos com granizado de hortelã, menta e flor de sal.

Oxumarê:

É Senhor do arco-íris e tem como símbolo uma serpente. É um Orixá rico e próspero. Por isso, é solicitado quando é preciso melhora financeira. Homenageando Oxumarê, Bel Coelho criou uma sobremesa com batata-doce, canjica e gelatina de erva-doce.

Omolu/Obaluaiyê

É o Orixá que tem poder sobre as doenças. Nos rituais religiosos marca sua presença com a pipoca. Por isso, a chef criou um petit four com pipoca, que é o acompanhamento do café no Clandestino: a telha de piruá.

Nanã

É a mais velha das divindades, Dona do lodo e pântanos. Por sua ancestralidade tudo dela, é ser servido em madeira. Nanã gosta dentre outras oferendas, do sarapatel. O bombom de sarapatel com jabuticaba e broto de agrião é o prato escolhido pela chef para homenageá-la.

Oxum

É o Orixá dos rios, cachoeiras, do amor e da beleza. É também chamada de a senhora do ouro. Bel criou homenageando Oxum uma sobremesa requintada, com sorvete de gemas, gotas de ovos moles, fatias de banana ouro, gelatina de melaço de cana, caramelos de canela e coco queimado, cubos de queijo coalho queimados e gengibre. E, para finalizar, folhas de ouro.

Yansã

É a deusa dos ventos e tempestades. Bel Coelho celebra Yansã, com um acarajé líquido. Preparou uma esfera de feijão fradinho com farofa de camarão seco, camarões salteados, um vinagrete suave e um vatapá líquido picante.

Xangô

É o Senhor do fogo, dos trovões e da justiça. Xangô gosta de mesa farta, por isso a chef brinda Xangô com um timbale de rabada ao molho de cerveja preta e canjiquinha. Para representar o fogo, o prato é flambado e apimentado.

Yemanjá

A Rainha do mar representa a maternidade. Dentre outras iguarias, Yemanjá Gosta de peixes. A mãe de todos os Orí's (cabeças) foi homenageada com um robalo cozido em baixa temperatura e servido com areia de coco, geleia de rosas, pérolas de leite de coco e capim santo.

Oxalá

É o Orixá da criação e da paz. Tudo o que é oferecido a ele é na cor branca. Na sua forma jovem como Oxaguian aprecia inhame. Para fazer referência a Oxalá, Bel Coelho serve vieiras grelhadas com mil-folhas de palmito pupunha e cogumelos paris com espuma de inhame.

"Rárá sòfò àsìkò dá ìróhìn titun mù se!" (Não perca tempo! Crie, inove e realize!)

Axé!

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