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O AZEITE DE DENDÊ


O azeite de dendê tem a função de legitimar como africana a religião dos Orixás, porque é consumido exclusivamente pelo Candomblé.
Tornou-se, então, o símbolo do sangue africano. Sua árvore representa a própria África no Brasil.Também chamado de "epô pupá", pelos iorubás, ou de "mazi", pelo povo bantu, é um óleo de cor vermelho-amarronzada, extraído por prensagem do fruto do dendezeiro.
É muito utilizado para os Orixás denominados "quentes e aguerridos", que participam ativamente da casa de Candomblé em quase todos os momentos, a começar por Exú e Ogum. O seu uso, contudo, não é exclusivo destes dois Orixás. Também ao ser humano é dado o privilégio de saboreá-lo, como ingrediente principal ou como coadjuvante em variados tipos de comida.
Possuidor de um aroma exótico e forte, tem a relevante função de ser propulsor da energia, do dinamismo e da vitalidade da cor vermelha, representando o movimento. Mas também produz a calmaria e o apaziguamento ao ser oferecido àqueles Orixás que se caracterizam pelo aspecto turbulento e aguerrido, como Ogum e Exu. Neste aspecto, o azeite de dendê serve como um símbolo que distingue os Orixás, agindo como um divisor dentro da religião e do sistema simbólico dos Orixás. De um lado, estão os denominados "Orixás do dendê" e, do outro, os chamados "Orixás funfuns", que não aceitam o azeite de dendê. Porém, dentro deste panteão existem alguns Orixás que aceitam pequenas porções do azeite de dendê, produzindo assim um contrabalanço entre a placidez e a sua personalidade dinâmica e enérgica.
Dentro de uma casa de Candomblé, além do uso na culinária, o dendê tem várias outras utilidades porque participa também da confecção de sabão e de velas, reforça alguns assentamentos, lubrifica ferramentas de certos Orixás, amacia o couro dos atabaques etc.
O consumo do azeite de dendê reforça sempre as raízes africanas em nossas vidas, e nos permite ver essa cultura advinda de outros povos reinterpretada em nosso dia-a-dia, trazida de além-mar e nos oferecendo seu cheiro.

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