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Falam e agem como verdadeiras crianças”



 Refiro-me aos “Ere” de nosso candomblé. Mas o que seria esse “Ser” tão enigmático com os mais diversos comportamentos? Uma Entidade ou apenas um “estado de consciência parcial” entre o Òrìṣà e o Elegún?


Entendo o termo “Ere”, como a forma abreviada da palavra “aṣiwère” que significa “estado de loucura”. Através de uma cerimônia simples, porém repleta de fundamentos, permitimos que a energia do Òrìṣà se desprenda parcialmente do corpo do Ọmọ Òrìṣà permitindo que as funções fisiológicas sejam ativadas e que de uma certa forma o metabolismo do corpo se estabilize. Na antiguidade um iniciado e consagrado no culto, permanecia por vários dias de "Ere".

Durante o “estado de ere” não podemos chamá-lo pelo nome do Òrìṣà nem por seu Orukọ, então daremos a esse “ere” um nome peculiar relacionado com o Òrìṣà Tutelar do indivíduo.

Esse “Ser” às vezes engraçado e às vezes rabugento, entre tantos outros comportamentos, deve ser tratado com respeito, pois ali ainda se faz presente o Àṣẹ Òrìṣà, ou seja, a Energia da Divindade.

Não posso deixar de mencionar que “espíritos de crianças incorporados”, somente ocorrem na Umbanda, onde são chamados pelos nomes de Joãozinho, Marianinha, Pedrinho, Zezinho entre tantos outros.

Devo salientar que o "Ere" não tem absolutamente nada haver com Ìbejì – A Divindade Protetora dos Gêmeos e das Crianças, pelo menos em meu entendimento. Sem a necessidade de mencionar que Ìbejì se trata de uma “Divindade Adulta”.

A presença de tantos “Ere” na Festa de Ìbejì se dá pelo simples fato de seu comportamento infantil, onde interagem com a presença de tantas crianças presentes nesse dia de alegria. Sabemos que não existe Festa de Ìbejì sem a presença de gêmeos e crianças, e de certa forma dos “Ere Sapecas”.
Sempre com fé
Olodumaré Asé.

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