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POMBAGIRA cigana da PRAIA!



Era uma Maria como tantas outras

Que levavam barquinhos de madeira
Branca como oferendas
Sempre no segundo dia
Do segundo mês
Para louvar a deusa que serviam.
Loira, dourada
Ela era filha de pescador
E neta de rendeira.
Faladeira, sambava na areia
Vestida de azul e pérolas...
Amava estar na água
Mas está mesma água
Foi a que lhe tirou a vida.
Afogada... Quem mandou
Encher a cara e cair no mar?
Nenhum amor valia isso meu bem...
Mas ela se casou muito cedo
Com um homem lindo
Que mais parecia um princípe.
Mas o que tinha beleza
Tinha também de canalhice.
Ela a traia praticamente todo dia
Com qualquer uma ou qualquer um.
Todo mundo dizia
"Largue esse homem Maria, ele não te merece"
Mas ela não dava ouvidos,
Ela não acreditava que ele era falso.
Porem um dia ela mesma viu,
Ela pegou no flagra
A boca dele colada na de outra.
Quando ela viu o homem que amava
Naquela situação
Ela se sentiu desprezada.
Ela sentia como se ela mesma
Não valesse nada.
Ele havia trocado o amor dela
por uma noite com uma rapariga.
Ela perdeu o juízo
Ela enlouqueceu.
Ela desceu toda a prateleira das
"Quentes" goela abaixo.
Bebeu tudo o que aguentava...
Uma vida toda dedicada aquele um
E ele para com ela não tinha
Nem respeito...
Chorando ela foi para a praia
Pedir a Sereia para lhe consolar...
Ela chorava e para a
Deusa perguntava
"Por que? Dei a ele os melhores anos de minha vida, e ele me apunhala pelas costas!"
Ela estava desiludida,
Havia investido no casamento
Tudo de bom que tinha
E sentia como se a sua vida
Fosse um barco que está a naufragar.
Ela então se lançou na água
E entrou no mar.
Bêbada...
E a Sereia negra viu ali que
A moça que a adorava
Corria sério risco, e por isso
Mandava as ondas
Para que ela voltasse para a areia,
E quanto mais a moça avançava
Mais a Sereia a empurrava
Para que ela voltasse a terra firme
E não afundasse na água salgada.
A moça ao perceber que a
Sua Deusa amada
Estava tentando lhe proteger
Bem alto gritou
"É doce morrer no mar! É doce morrer com Yemanjá! Por que é ela que me deu a vida é para ela que vou voltar!"
E a Sereia negra então sessou
Pois viu que ali não era a
Bebida que falava
E sim o coração.
A água se acalmou
Para a parte funda ela partiu
E na parte funda
A moça afundou.
E lá no fundo da água esverdeada
Nos braços de Sereia Negra
A paz ela encontrou...
Ela morreu de amor e agora tem por
Missão apaziguar o coração
Daquelas que tem a mesma sina.
Vá na praia de madrugada
Vá sim,ela está lá.
Ao chegar na areia
Entregue uma palma branca
Para a Sereia
E uma Rosa Vermelha para a
"Pombagira da Praia"
Que ela vai lhe ajudar.
Ouça com atenção o ecoar
Daquela costumeira gargalha
Nos rochedos da praia,
É lá que ela está...
Ela sempre esta lá!
"Ta na Atalaia
Ela é Pombagira
Ela é Pombagirê
Para que eu não caia"
Saravá! Salve a Pombagira da Praia!
Ela tem mironga no fundo do mar!
No fundo do mar!

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